Site icon DeFato Online

Sindicato do Crime rivaliza com o PCC no Rio Grande do Norte e aposta no confronto

Sindicato do Crime rivaliza com o PCC no Rio Grande do Norte e aposta no confronto

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ônibus incendiados, prédios públicos depredados, tiros à bases da polícia. O caos que assusta moradores do Rio Grande do Norte há alguns dias tem um principal suspeito: o Sindicato do Crime (SDC), que comanda as cadeias potiguares. Criado há dez anos para fazer frente ao domínio do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos presídios do Estado, o grupo incorporou métodos da organização paulista e hoje tem no modus operandi episódios recorrentes de violência urbana, como forma de pressionar o poder público.

“Fundado em 2013 e com o lema principal ‘o certo pelo certo’, o SDC controla grande parte das unidades prisionais e das quebradas da grande Natal. Apesar de pouco tempo de existência, a facção deixou um legado considerável no que concerne ao seu domínio territorial e à sua afronta a um comando que existe internacionalmente, que é o PCC”, escreveu a pesquisadora Natália Firmino Amarante, em sua dissertação de mestrado apresentada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em 2019.

Em janeiro de 2017, o nome Sindicato do Crime ganhou repercussão quando pelo menos 26 dos seus integrantes foram mortos na maior chacina já registrada em uma unidade prisional no Rio Grande do Norte. Membros do PCC arrombaram grades da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, considerada de segurança máxima, e invadiram pavilhões da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Ambas as facções dividiam o mesmo terreno em uma região de dunas na Grande Natal.

Guerra

Hoje, conforme dados de fontes ligadas à segurança pública no Rio Grande do Norte, o Sindicato do Crime é a maior facção do Estado, com mais de mil “sindicalizados” presentes em quase todas as unidades prisionais. O domínio do tráfico e a disputa pelo poder dentro das detenções com os remanescentes do PCC ainda configuram uma guerra urbana local no Estado.

“Não é a primeira ação que a gente tem desse tipo. Não é um problema localizado”, diz a antropóloga Andressa Morais, da Universidade de Brasília (UnB). A atuação da facção nas ocorrências desta semana está sob investigação das autoridades potiguares.

Rio Grande do Norte terá reforço de agentes penitenciários

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, autorizou na quarta-feira (15), o envio de agentes da Força de Cooperação Penitenciária, antiga Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP), para o Rio Grande do Norte. O Estado assiste a ataques coordenados nas ruas em diferentes cidades efetuados a partir de ordens emitidas por líderes presos.

A força-tarefa será de caráter “episódico e planejado” pelo período de 30 dias, com o objetivo de coordenar os serviços de guarda, de vigilância e de custódia de presos.

“A operação terá o apoio logístico e a supervisão dos órgãos de administração penitenciária e segurança pública do ente federado solicitante. O número de profissionais a ser disponibilizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública obedecerá ao planejamento definido pelos entes envolvidos na operação”, informou o ministério na noite de quarta-feira.

A pasta ressaltou que a força-tarefa não configura uma intervenção federal no Estado, “mas ampara tecnicamente e juridicamente as atividades de cooperação integrada de apoio ao Estado”.

Força Nacional

O Rio Grande do Norte já havia pedido e o governo federal já havia decidido pelo envio de agentes da Força Nacional, que começaram a chegar ao Estado na madrugada de quarta-feira. Dino autorizou o envio de 190 agentes, dos quais 83 já estão em Natal.

Ataques coordenados

Cidades do Rio Grande do Norte estão registrando uma onda de ataques coordenados contra prédios públicos e veículos desde a noite de segunda-feira (13).

Os casos, que chegaram a cerca de 20 cidades, incluindo a capital, Natal, consistem em incêndios de estruturas de prefeituras e do governo, além de ataques a tiros a bases policiais e sedes do Judiciário.

* Com Estadão Conteúdo.

Exit mobile version