Após algumas semanas de adiamentos, o projeto de lei nº 61/2022, relativo ao orçamento de Itabira para 2023, finalmente foi votado na Câmara, nesta terça-feira (6). Aprovado por unanimidade, o texto garantiu cerca de R$ 1 bilhão e 35 milhões aos cofres municipais para o ano que vem. A liberação dos recursos, no entanto, ocorreu sob críticas.
O primeiro a se pronunciar foi Heraldo Noronha (PTB), futuro presidente da Câmara Municipal de Itabira, que propôs uma “vaquinha” entre os vereadores para a compra de um energético que “acordasse” o prefeito Marco Antônio Lage (PSB). Ele chegou a se confundir e falar na compra de um rivotril, mas corrigiu logo em seguida, não sem antes ser repreendido pelo atual presidente da Câmara, Vetão (PSB), que pediu respeito aos usuários do medicamento.
“Senhor presidente, aqui é bom que a gente está vendo esse vultoso dinheiro que esse prefeito vai ter na mão para fazer bastante obra. Mas não adianta muito não, seu presidente. Eu acho que os 17 vereadores deveriam fazer uma vaquinha e comprar rivotril pro prefeito, para acelerar ele um pouquinho, fazer ele movimentar mais, porque as obras estão todas paradas. Rivotril não, tem que comprar é energético pra ele, porque está uma vergonha. Fomos no Engenho hoje, o senhor passa lá todo dia, o senhor viu o buraco quase do tamanho de um carro caindo… ele está com muito recurso e não está sabendo gastar. Então tem que dar energético para ele mesmo, para ver se consegue melhorar um pouquinho a administração dele”, ironizou.
Outro a se pronunciar foi Júlio Contador (PTB). Para o petebista, além de propor emendas, seus colegas também devem atuar “ferrenhamente” na fiscalização das obras previstas para o ano que vem.
“Cabe a cada um de nós, na próxima legislatura, atuar cada vez mais ferrenhamente, no sentido de acompanhar e fiscalizar as obras. Ontem (5) ouvimos aqui uma cidadã reclamando de forma sofrida a questão das zonas rurais, em que as coisas não acontecem. A gente sabe que, assim como o Natal tem seu dia, tem época também de chuva, e as coisas não acontecem a contento. O que precisamos é ter um Governo mais operacional e dar mais resultados à população. E o orçamento do ano que vem é R$ 1 bilhão e 35 milhões, é muito dinheiro para ser executado. Então, além das emendas, também esse comprometimento de cada um de nós de acompanhar a execução e dar um retorno social e de serviço de obras que o povo está há anos esperando”, disse.
Líder da oposição na Câmara, Neidson Freitas (MDB) disse votar a favor do orçamento com certo medo, mas o faria porque “a cidade precisa funcionar”.
“Sinceramente, eu tenho que votar porque a cidade precisa funcionar. Mas com muito medo. Estamos entregando R$ 1 bilhão na mão de um Governo que não deu certo, na mão de um prefeito que sequer conseguiu montar uma equipe de trabalho. Nessa semana mesmo já saiu outro secretário. A Secretaria de Obras já está no terceiro ou quarto secretário, Desenvolvimento Econômico mudou de novo, chefia de gabinete… as pessoas servem pra qualquer coisa dentro desse Governo”, protestou.
O emedebista ainda parabenizou José Maciel de Paiva, o último dos secretários a sair, pela coragem de pedir a exoneração. No anúncio da mudança, a Prefeitura não detalhou qual foi a justificativa do ex-chefe de Desenvolvimento Econômico para deixar o cargo.
“Quero até parabenizar agora o último secretário que saiu, porque ele teve a coragem de pedir pra sair, porque não tem como trabalhar numa bagunça dessa. Sabe por que a estrada está ruim? Porque não tem planejamento nenhum dentro de uma Secretaria de Obras que troca de secretário quase duas ou três vezes no ano. E os bons que vieram, já foram embora. Quem se propõe a trabalhar numa bagunça dessa? Num desgoverno?”.
Aprovado em votação única, o orçamento municipal de 2023 ainda conta com quatro emendas. A primeira, justamente de Neidson, diz respeito ao investimento de R$ 1 milhão para a causa animal em Itabira, como você pode ler aqui. O restante, proposto por Sidney do Salão (PTB), autoriza o asfaltamento das ruas do bairro Barreiro, e as construções de um PSF no Jardim das Oliveiras e um muro de arrimo no Eldorado. Todas as propostas ainda dependem da aprovação de Marco Antônio Lage.

