O crime que vitimou o motorista de aplicativo Alberto de Oliveira Gomes, encontrado morto no dia 4 de outubro, virou notícia no Rio de Janeiro, depois da viúva se tornar suspeita pelo assassinato e ser presa. O filho caçula da vítima, Alberto de Oliveira Gomes Junior, contou em depoimento à Polícia Civil que sua madrasta, Andreia Ramos Cortes, fez uma vaquinha para poder realizar o sepultamento do corpo do pai, apesar de o seguro de vida cobrir o enterro.
As duas apólices somavam R$ 600 mil em favor de Andreia. Ela e o pai de santo Marcos Filipe Oliveira Santana foram presos pelo crime, nesta quarta-feira (19). No depoimento, Junior narrou também que a madrasta fazia “pouco caso” do sepultamento e que um enterro “mais digno” só foi possível depois de familiares terem cobrado a suspeita sobre isso.
Entenda o caso
A vítima desapareceu em 26 de setembro e teve o corpo encontrado, por Andreia, em 4 de outubro, no Alto da Boa Vista. Mas, de acordo com investigação da Polícia Civil, há indícios de que a viúva é autora do homicídio e da ocultação de cadáver e, por isso, está presa temporariamente.
Junior contou à policia que o relacionamento do pai com a madrasta era “conturbado” e marcado por “discussões e ofensas mútuas”. Ele também aponta que “ninguém” de sua família se dava bem com Andreia, por desconfianças de que ela era amante de Alberto antes de sua mãe morrer, em 2019.
Bruna Pereira Gomes, outra filha de Alberto afirmou que desconfiava do “envolvimento” da madrasta e de Marcos Filipe Oliveira Santana, pai de santo de Andreia, na morte do pai. Outra observação de Bruna foi a de que a suspeita “teria dificuldade para receber o benefício” do seguro caso o corpo de Alberto não fosse encontrado e, por isso, ela teria conseguido duas pessoas para desenterrar Alberto, numa área de mata do Alto da Boa Vista.
De acordo com o delegado Alexandre Herdy, titular do caso, não foi possível descobrir qual foi a causa da morte de Alberto, pois o corpo da vítima foi encontrado em “avançado estado de decomposição”. Por isso, o exame de necropsia teve resultado inconclusivo e, agora, aguarda-se o resultado de um exame toxicológico.
“Foram coletados fragmentos de vísceras da vítima para que seja realizado exame toxicológico complementar. Pode ser que, nesse momento, tenhamos com precisão a causa mortis”, disse o delegado.
As desconfianças sobre Andreia aumentaram depois que ela alegou, em depoimento, que teria dado altas doses de Clonazepan, medicamento que inibe as funções do sistema nervoso central e permite sedação, a Alberto no dia de seu desaparecimento.

