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Tainara Santos não sobrevive à violência e se torna mais um nome na estatística do feminicídio; entenda

Tainara Santos não sobrevive à violência e se torna mais um nome na estatística do feminicídio; entenda

Foto: Arquivo pessoal/Tainara Santos

O corpo de Tainara Souza Santos, de 31 anos, está sendo velado nesta sexta-feira (26) no Cemitério São Pedro, na Zona Leste de São Paulo. O sepultamento ocorre ao meio-dia. Familiares e amigos se despedem da jovem com camisetas e faixas em sua homenagem, acompanhadas de pedidos por justiça. Ela deixa dois filhos, um menino de 12 anos e uma menina de 7.

Tainara morreu na noite da última quarta-feira (24), véspera de Natal, após 25 dias de internação no Hospital das Clínicas, em decorrência de um crime que chocou o país. No dia 29 de novembro, ela foi agredida, atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê pelo ex-companheiro, Douglas Alves da Silva.

Com a confirmação do óbito, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi oficialmente reclassificado como feminicídio consumado. A investigação segue sob responsabilidade da 73ª Delegacia de Polícia.

Um nome entre tantos — e um alerta permanente

O assassinato de Tainara não é um caso isolado. No Brasil, cerca de 1.500 mulheres são mortas por ano em crimes de feminicídio — mais de quatro por dia. São mulheres que ousaram romper relações, dizer “não”, tentar recomeçar.

A morte de Tainara expõe, mais uma vez, a face brutal de uma violência estrutural que insiste em tratar a vida das mulheres como descartável. Seu nome agora se soma a uma lista que não para de crescer — mas também se transforma em símbolo de denúncia, memória e resistência.

Internação e agravamento do quadro

Após o atropelamento, Tainara foi socorrida e levada inicialmente ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, sendo posteriormente transferida para o Hospital das Clínicas, devido à gravidade dos ferimentos. Durante o período de internação, passou por cinco cirurgias de alta complexidade, permaneceu semanas em coma induzido e teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho nos primeiros dias de tratamento.

Na última segunda-feira (22), ela passou pela quinta cirurgia, voltada à reconstrução da região glútea, severamente lesionada pelo atrito com o asfalto. Apesar dos esforços médicos e da mobilização por doações de sangue, Tainara não resistiu às complicações e morreu na quarta-feira (24).

O crime

O episódio ocorreu na manhã de sábado, 29 de novembro, na zona Norte da capital paulista. Tainara estava em um bar com uma amiga quando decidiu sair com Douglas Alves da Silva. Câmeras de segurança registraram o momento em que o homem utiliza o veículo para atropelá-la deliberadamente.

Além do impacto inicial, Douglas manteve o corpo da vítima preso ao carro e seguiu dirigindo pela Marginal Tietê por cerca de um quilômetro. Vídeos feitos por outros motoristas flagraram a cena e circularam amplamente nas redes sociais.

Amigos de Tainara afirmaram à polícia que o agressor estava “totalmente transtornado” momentos antes do crime e desmentiram a versão apresentada por ele, que tentou alegar que não conhecia a vítima.

A investigação também apurou que Douglas contou com a ajuda do ex-sogro para esconder o veículo utilizado no crime, numa tentativa de dificultar a perícia e a produção de provas.

Prisão e desdobramentos

Douglas Alves da Silva foi preso na noite de 30 de novembro, em um hotel na Vila Prudente, zona Leste de São Paulo. Durante a abordagem policial, ele resistiu à prisão e tentou tomar a arma de um dos agentes, sendo baleado no braço. Após atendimento médico, foi encaminhado à delegacia.

A prisão foi mantida após audiência de custódia. Douglas permanece detido no Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos, respondendo por feminicídio.

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