A pandemia do coronavírus vai além da saúde pública. Ela interfere também na questão econômica. Em conversa com a reportagem da DeFato, taxistas e motoristas de aplicativos relatam dificuldades para manter o básico em suas casas.
É o caso do taxista Antônio Donizete, que tem 63 anos e há mais de 15 trabalha no ramo, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Mesmo sendo idoso e assim enquadrado no grupo de risco, ele não abre mão de permanecer trabalhando durante oito horas, diariamente. “Estamos passando dificuldade, está muito devagar. Temos que defender o pão dentro de casa né”, justificou o taxista.
Apesar do esforço, o retorno financeiro não é satisfatório. Antônio afirmou que a média diária de corridas são de quatro, a um preço que gira em torno de R$10 cada. Sem outra fonte de renda e faltando dois anos para se aposentar, ele conta com a ajuda da esposa para manter a casa. “Tenho álcool gel no carro. Toda vez que vou pegar dinheiro, lavo as mãos e passo. Tenho um spray que também utilizo no carro”, explicou o taxista.
Situação semelhante
A queda no movimento de passageiros também é notada por motoristas de aplicativos. É o caso de Eduardo Otoni, 29 anos e estudante de Direito. Ele trabalha há três anos no ramo. “Está bem complicado. Tenho meu outro emprego que me ajuda a completar a renda, mas a maioria dos motoristas não tem”, declarou. Outro insatisfeito com a queda de rendimento é Evandro Silveira, 49. O motorista começa a rodar logo cedo, às 4h40. “Termino às 18h. Durante este período faço em média 12 corridas”, disse.
Evandro ainda exemplifica que em conversa com outros motoristas, chegaram à conclusão de que houve queda de 70% das viagens. Já o estudante Thiago Pinheiro, 32, optou por encostar o carro. “Não compensa sair de casa para ficar esperando corrida. Você fica duas horas parado para fazer cinco corridas”, justificou.
Assistência
Conforme os canais oficiais do aplicativo de corridas, motoristas e entregadores cadastrados e diagnosticados com o Covid-19 ou que estejam em quarentena por orientação médica, terão auxílio financeiro durante 14 dias. Já aqueles que adotam medidas de prevenção, têm reembolso de R$20. Para receber o reembolso, é preciso apresentar nota fiscal da compra de material utilizado e cada motorista tem direito a um reembolso.

