A Justiça de Minas Gerais condenou três homens pelo homicídio de um homem de 45 anos, morto após ser violentamente agredido dentro da Estação Move São Francisco, na avenida Antônio Carlos, em Belo Horizonte. O crime ocorreu em 8 de novembro de 2024 e teve como estopim uma acusação falsa de importunação sexual, que nunca foi comprovada pelas investigações.
O julgamento foi realizado pelo 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, que reconheceu a prática de homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de corrupção de menores.
Ricardo Vinícius de Oliveira Filho foi condenado a 21 anos e 2 meses de prisão, enquanto Rômulo Bruno Antunes Aguiar e Démerson Rodrigues da Cruz de Paula, tiveram pena estabelecida a 19 anos e 6 meses de reclusão. Todas as prisões deverão ser cumpridas em regime fechado. Ricardo Vinícius teve a pena maior por ter sido identificado como o principal agressor. As condenações foram atenuadas após confissões feitas em plenário durante o julgamento.
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a vítima foi cercada pelos três homens e por dois adolescentes após a divulgação da falsa acusação. Em seguida, passou a ser espancada com socos, chutes, pauladas e sofreu ao menos um golpe de arma branca, não resistindo aos ferimentos. As apurações descartaram qualquer confirmação da denúncia inicial que motivou as agressões, reforçando o entendimento de que o crime foi resultado de justiça pelas próprias mãos.
Um quarto homem denunciado no processo foi impronunciado por insuficiência de provas. Já a mulher que fez a acusação falsa teve o processo desmembrado, e sua situação judicial segue sendo analisada separadamente.
O caso teve grande repercussão em Belo Horizonte por ter ocorrido em um espaço público de grande circulação, levantando alertas sobre os riscos da disseminação de boatos e acusações sem confirmação, além da violência coletiva motivada por desinformação.

