Investigações de um ano que levaram à operação nesta terça-feira (28), identificaram 94 bandidos do Comando Vermelho que estariam escondidos nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
O objetivo da operação é combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e prender lideranças da facção que atua no Rio e tem ramificações em outros estados.
A operação envolveu 2.500 agentes das forças de segurança do Estado para cumprir mandados de prisão em uma área de 9 milhões de metros quadrados.
Ao menos 64 pessoas morreram e 81 foram presas durante a ocupação dos complexos pelas Polícias Civil e Militar.
Entre os mortos estão quatro policiais, dois militares e dois da civil, mas há registros de policiais e moradores feridos.
O grande número de vítimas foi criticado pelo Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que se disse horrorizado com a operação.
O governador do Rio, Cláudio Castro classificou o ato como “a maior operação das forças de segurança do estado” e faz parte da Operação Contenção, uma iniciativa permanente do governo do Rio contra o grupo criminoso.
“Essa operação teve início com o cumprimento de mandados judiciais e uma investigação de mais de um ano e planejamento feito há mais de 60 dias”, disse o governador.
Foram apreendidos mais de cem fuzis e uma grande quantidade de drogas, confiscados pelo governo do Estado.
Entre os presos, estão acusados de liderar o tráfico de drogas sob o Comando Vermelho, como Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, além de Nicolas Fernandes Soares, apontado pelas autoridades como operador financeiro de um dos chefes do tráfico e Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”, um dos chefes do Comando Vermelho.
Entre os alvos da operação estão cerca de 30 bandidos de outros estados, , destacando-se integrantes de uma facção do Pará escondidos nessas regiões.
Moradores do Complexo da Penha levaram ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais vias da região, ao longo da madrugada desta quarta-feira.
O secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, informou que, os corpos da praça não constavam da contabilidade, mas afirmou que haverá uma perícia para confirmar se há relação dessas mortes com a operação.
O G1 apurou que os corpos estavam na área da mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram as forças de segurança e traficantes. Moradores afirma que ainda há muitos mortos no alto do morro.
Em encontro de cúpula em Jacarta, na Indonésia, na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao falar sobre o enfrentamento às drogas, disse que “traficantes são vítimas dos usuários, e que seria mais fácil para o Brasil e os Estados Unidos combater viciados. Os usuários são responsáveis pelos traficantes que são vítimas dos usuários também. Ou seja, você tem uma troca de gente que vende, porque tem gente que compra, e tem gente que compra porque tem gente que vende“.
A afirmação se deu ao ser questionado sobre falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse não ser necessária uma declaração de guerra para matar traficantes de drogas.

