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Vale faz acordo com BHP e não responderá mais por processos sobre Mariana no Reino Unido e na Holanda

MPF recorre de sentença que absolveu acusados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana

Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, atingido pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Na última sexta-feira (12), a mineradora Vale informou ter realizado um acordo com a BHP para não responder a processos no exterior sobre tragédia-crime em Mariana. Em um comunicado ao mercado, a Vale divulgou que somente a BHP Billiton fará a defesa em casos no Reino Unido e na Holanda.

Caso sejam condenadas, ambas as empresas dividiriam igualmente os custos da indenização. Outros detalhes sobre o acordo permanecem em confidencialidade.

“A Vale e a BHP firmaram um acordo confidencial, sem qualquer admissão de responsabilidade, segundo o qual a ação de contribuição movida pela BHP contra a Vale, em conexão com as Reivindicações do Reino Unido, será retirada. O efeito do acordo é que, caso se conclua que a BHP tem qualquer responsabilidade perante os requerentes nas Reivindicações do Reino Unido, ou caso qualquer responsabilidade seja por fim atribuída à Vale perante os requerentes na Holanda, tal responsabilidade seria dividida igualmente entre a BHP e a Vale. Todos os outros termos do acordo permanecem estritamente confidenciais”, diz um trecho da nota.

Para o escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa 720 mil pessoas atingidas pelo desastre-crime em Mariana tanto no Reino Unido como na Holanda, o acordo ameniza a reponsabilidade da Vale. Em nota, o escritório informa que foi a BHP quem chamou a Vale ao processo em 2022 e, desde então, elas travam uma batalha na justiça inglesa sobre a divisão das responsabilidades.

“Na prática, o acordo poupa a Vale de passar pelo desgaste de ter seus diretores sendo interrogados e seus processos escrutinados durante um longo julgamento na corte inglesa – uma exposição que pode trazer eventuais prejuízos reputacionais. Nada impede, porém que os diretores da BHP passem pelos questionamentos”, defende o Pogust Goodhead.

Processo na Inglaterra

Segundo o escritório Pogust Goodhead, o processo na Inglaterra foi aberto em 2018 apenas contra a BHP, porque ela era uma empresa anglo-australiana no momento do colapso. O julgamento de responsabilidade está marcado para outubro de 2024.

A juíza Finola O’Farrell, que encabeça o caso, determinou que a BHP entregue o contrato de trabalho de seu diretor-executivo na época do colapso da barragem de Mariana. Além disso, requer uma série de outros documentos que podem provar a responsabilidade da empresa pelo desastre.

A barragem de Mariana entrou em colapso em novembro de 2015, liberando cerca de 43 milhões de metros cúbicos de lama tóxica na bacia do Rio Doce. O rompimento destruiu vilarejos, impactou dezenas de municípios e afetou o modo de vida de milhões de pessoas nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro.

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