Com a notícia do falecimento do compositor Hermeto Pascoal, no sábado (13), o Brasil perde um de seus maiores ícones musicais, reconhecido e reverenciado em todo o mundo como um gênio inventivo, subversivo e carismático, que influenciou gerações e que estabeleceu uma nova tradição musical. Natural de Olho d’Água, povoado na região de Arapiraca, em Alagoas, Hermeto deixa um amplo legado de 75 anos de carreira. O seu sepultamento será hoje, no Rio de Janeiro, entre às 14h e às 21h.
Nas palavras do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Hermeto “Sempre nos ensinou a não deixar a tristeza dominar”. Lula destacou o “talento e a incansável criatividade” do artista, que o “consagraram internacionalmente”.
De fato, o universo da música se comoveu com a partida do velho Hermeto, especialmente aqueles que seguem o seu legado na chamada Música Universal, termo com o qual nos acostumamos a referenciar o estilo de composição inaugurado por Hermeto.
“Uma escola de sabedoria oral, de profundo preceito musical”, declarou uma das herdeiras do legado musical de Hermeto, a compositora Carol Panesi, que leva adiante a Música Universal. Para ela, Hermeto foi mais que uma referência, mas um mestre. “Um mago dos sonhos, nossos grande farol nos guiará das estrelas, com seu espírito livre”.
Em suas mãos, tudo vira música
Uma de suas mais marcantes características foi a de transformar qualquer objeto em um instrumento musical. Seja uma chaleira, colheres de pau, uma taça de água ou a própria barba, tudo poderia se transformar em um meio para a sua inesgotável expressão artística.
Hermeto nasceu com estrabismo e era albino, desde criança se encontrou na expressão musical como o grande vetor de sua vida. Foi um inventor, que pegou a inspiração nos sons da natureza, os pássaros e as águas, para propor ao mundo uma nova perspectiva da música.
Uma longa trajetória, de um legado imensurável
Iniciou a sua carreira em 1950, no Recife, como músico da Rádio Tamandaré. Teve em Sivuca um parceiro leal e importante, com quem formou o trio O Mundo Pegando Fogo.
Desde então, passou pelo Rio de Janeiro, por São Paulo e pelos Estados Unidos, acumulando experiência e expandindo os limites de sua expressão. O reconhecimento internacional de sua música teve como fãs ilustres nomes como Chick Corea, Stan Getz e Miles Davis.
Desde 1965 até 2024, Hermeto gravou 26 álbuns de estúdio e ao vivo. Venceu o Troféu APCA em 1973 como melhor solista de música popular e recebeu um Grammy Latino em 2019. Além disso, foi personagem de filmes, como “Hermeto Campeão”, de Thomas Farkas (1981) e “O menino d’olho d’água”, de Carolina Sá e Lírio Ferreira (2024).
Velório na Areninha, em Bangu
O corpo de Hermeto será velado nesta segunda-feira (15), na Areninha Cultural Hermeto Pascoal, em Bangu, no Rio de Janeiro, entre às 14h e às 21h.

