Uma fato inusitado chamou atenção na Câmara de Vereadores de João Monlevade durante a reunião da última quarta-feira, 2 de agosto. O vereador Pastor Carlinhos (PMDB), famoso por colecionar polêmicas, usou a tribuna para reclamar da violência no município. Com uma bíblia em uma das mãos e um tacape indígena em outra, o parlamentar fez duras críticas à atuação da Polícia Militar e disse que hoje o cidadão só pode acreditar em Deus e se defender como pode.
Pastor Carlinhos tocou no assunto para relatar o que aconteceu com um de seus filhos, que teve a casa assaltada dias atrás. Segundo o vereador, a resposta dos policiais militares foi que, mesmo tendo um suspeito para o crime, eles não poderiam fazer nada, pois ele iria negar a autoria do roubo. Ele também citou outros dois episódios de indisposição dele e de familiares com os militares. Um deles envolvendo problemas de trânsito e outro em que, de acordo com ele, foi indagado com truculência por um policial militar em visita ao Fórum Milton Campos, no bairro Aclimação.
Na tribuna, Pastor Carlinhos protagonizou uma cena inusitada e disse, em tom indignado, que não há mais em quem acreditar e recorrer em nosso país. “Podemos confiar em quem? Não há confiabilidade em ninguém. Uma vergonha. Executivo, Legislativo, Judiciário, Polícia, acreditar em quem? Temos que acreditar só em Deus e nos defender com o que podemos”, disse, segurando o instrumento, semelhante a um taco de beisebol.
Pastor Carlinhos também questionou a informação de que os crimes diminuíram em João Monlevade. O fato foi divulgado pela Polícia Militar e publicado pela imprensa semanas atrás. “Disseram que a criminalidade abaixou. Onde? Em Monlevade não foi. A população continua com medo. Reunião de Consep (Conselho Municipal de Segurança) serve para quê?”, questionou.
O vereador também ironizou e disse que paga para quem avistar um Policial Militar na avenida Getúlio Vargas, na região central, em determinadas horas do dia. “Não sou rico, nem Sílvio Santos, mas pago R$ 100 para quem achar um policial militar ao longo da tarde na avenida Getúlio Vargas, entre a Caixa Econômica Federal e a Praça Sete. Não acha nenhum”, esbravejou.
Polícia garante empenho
Em entrevista ao jornal A Notícia, o comandante da 17ª Cia Independente da Policia Militar de João Monlevade, major André Pedrosa, afirmou que, em casos como o ocorrido recentemente com o filho do vereador, todas as ações possíveis são efetuadas pelos militares, mas não se pode prender um indivíduo sem o devido flagrante. “Os policiais militares fazem tudo que podem, buscam informações, verificam suspeitos, fazem os levantamentos e os devidos encaminhamentos e mantém as vítimas informadas, mas há dificuldades, em virtude do sistema penal brasileiro, que é muito antigo. Independentemente da vítima ser parente de uma autoridade ou não, todas as ações possíveis são feitas. O vereador, inclusive, tem meu respeito e consideração”, disse.
Sobre as críticas à segurança pública na cidade e o questionamento em relação aos números apresentados, major André salientou o empenho dos policiais militares em João Monlevade e afirmou que os números e estatísticas são oficiais e sérios. “Os nossos militares estão nas ruas e sempre empenhados em operações contra os crimes violentos, tráfico de drogas, porte ilegal de armas e outros delitos e nosso trabalho não se atem apenas aos números e estatísticas. Mas posso afirmar que eles são exatos e oficiais. Inclusive, me coloco à disposição para esclarecer sobre os números”, afirmou.

