Nesta terça-feira (17), vereadores de oposição e situação se uniram para criticar a apresentação musical feita pela rapper Mac Júlia, no último domingo (15), na Praça da EEMZA. Os parlamentares contestaram o teor das letras cantadas no evento que, para eles, possuía cunho familiar. A apresentação compôs a programação de encerramento da Mostra de Arte Pública (MAPA) e foi promovida pela produtora Festim. Assista a um trecho do show logo abaixo.
Responsável por trazer o tema à tona nesta terça, Sidney Marques Vitalino Guimarães “do Salão” (PTB) desejava mostrar em plenário um dos vídeos do show recebidos por seu gabinete. No entanto, após um longo debate sobre a exibição ou não do vídeo, Heraldo Noronha Rodrigues (PTB), presidente da Casa, optou por não passá-lo.
Porém, isso não impediu as críticas de Sidney. “O vídeo é público, foi feito na Praça da EEMZA, uma praça pública, na inauguração do bolinho. Inclusive vários familiares foram, levaram crianças, e quando chegaram lá se depararam com essa imoralidade. Um dia o prefeito acende a vela para Deus, no outro dia para o diabo, e a gente já não sabe o que está acontecendo. A nossa cidade perdeu o que poderia ser acrescentado como cultura”, protestou.
Também oposicionista, Rosilene Félix (MDB) foi outra a se indignar. A parlamentar se disse constrangida diante dos filhos e citou uma lei municipal instituída em 2007 (clique aqui para lê-la).
“Lembrando que a Lei Municipal 5.005, de 6 de dezembro de 2007, dispõe no artigo 1º: ‘Os serviços públicos e eventos patrocinados pelo poder público municipal devem respeitar as leis federais que proíbem a divulgação ou acesso de crianças e adolescentes a imagens, músicas ou textos pornograficos ou obscenos, assim como garantir proteção face a conteúdos impróprios ao seu desenvolvimento psicológico’. No domingo à noite eu saí da igreja, passei lá para ver o bolinho, que a gente vai com a expectativa de ser um momento que cabe criança. E quando chegamos lá, até meus filhos ficaram assustados com o que estavam presenciando. Me questionaram: ‘mãe, você não fala que a gente não pode ouvir, como você traz a gente aqui?’”, discursou.
O situacionista Bernardo de Souza Rosa (Avante), por outro lad0, argumentou que a lei se refere a músicas proibidas por legislação federal. Porém, o advogado também deixou sua crítica ao caso.
“Eu ouvi, também fiquei consternado com a situação no dia. Estava com minha filha e também me ausentei do local, comentei com algumas pessoas que estavam lá que não era música apropriada para aquele tipo de evento. Eu acho que não é censura, mas toda banda que vem, que pelo menos se saiba o repertório desta banda”.
Por fim, quem também não gostou do teor da apresentação foi o vice-líder de Governo na Câmara, Carlos Henrique de Oliveira (PDT). O pedetista defendeu a não exibição do vídeo, argumentando que um erro não justificaria o outro.
“Presidente, também quero lhe parabenizar pela postura do senhor, que não deixou que passasse esse vídeo. Tive conhecimento dele até mesmo pelo vereador que me apresentou, realmente tem palavras de baixo calão, não pode ser aceitável na nossa cidade. Mas também somos poderes diferentes, não é porque a Prefeitura errou que devemos fazer o mesmo. Mas alguma atitude tem que ser tomada”.
Posicionamento
Nesta quarta-feira (18), o Festim se manifestou sobre o caso e classificou como “preconceituosos” e “intolerantes” os comentários feitos pelos vereadores. O grupo também promete usar a tribuna da Câmara em uma futura reunião. Leia a nota, na íntegra, logo abaixo.
No dia 14 e 15/10, o Festim teve a honra de participar da programação e organização da festa de encerramento do @mapa.festival . Oferecemos uma variedade de intervenções, incluindo poesias, lançamentos de talentosos artistas itabiranos como @juca_og com o álbum “Fractais” e @_pi_yy com o álbum “Novo Plano”, além de saraus que contaram com a participação de artistas do Vale do Aço e a @batalhadafenix.oficial .
Nossa produtora está constantemente empenhada em dar voz e visibilidade à cultura periférica, reconhecendo que este é o nosso público-alvo. Neste evento, conseguimos realizar um movimento em uma dimensão que sempre sonhamos. Nos sentimos honrados e respeitados pelo prefeito @marco.antoniolage , que tem sido um grande defensor de uma cultura plural em nossa cidade. Acreditamos que Itabira possui um grande potencial para avançar no mercado com novas vertentes musicais, e, portanto, não podemos permitir um retrocesso na censura desses movimentos.
No dia 17/10, durante a reunião dos vereadores na Câmara Municipal de Itabira, nosso trabalho foi alvo de comentários preconceituosos e intolerantes, que buscam nos manter presos a um passado que não representa nossa verdadeira essência. É importante enfatizar que não houve nenhuma ocorrência ao longo do evento, pois planejamos minuciosamente para que tudo transcorresse da melhor forma possível.
Neste contexto, estaremos encaminhando ainda hoje um ofício ao Vereador @vereador_heraldo , solicitando o uso da tribuna para relembrarmos a todos os vereadores da lei sancionada pelo prefeito @marco.antoniolage , aprovada de forma unânime por eles. Essa lei assegura que toda forma de manifestação cultural urbana ocorra, se diferenciando do vandalismo e da perturbação da ordem pública.
Para finalizar, gostaríamos de agradecer as mais de 1.000 pessoas que circularam durante a festa de encerramento do Mapa Festival em Itabira/MG.
À DeFato, a Prefeitura de Itabira pontuou que o conteúdo das apresentações é de responsabilidade dos artistas e seus produtores. O Executivo também enfatizou não praticar qualquer censura prévia. Leia o posicionamento completo logo abaixo.
A Mostra de Artes Públicas foi um sucesso, com presença de artistas internacionais, repercussão em todo país e ampla divulgação do nome da cidade. Sobre o conteúdo de apresentações artísticas, a responsabilidade por qualquer apresentação pública cabe unicamente aos artistas e seus produtores. A Prefeitura de Itabira não pratica censura prévia.

