Vereadores reforçam cobrança à Vale e defendem criação da Via Expressa em Itabira

Indicação reacende cobrança para que a Vale retire a linha férrea e avance com a Via Expressa, vista como solução para o trânsito urbano

Vereadores reforçam cobrança à Vale e defendem criação da Via Expressa em Itabira
Foto: Giovanna Victoria/DeFato

A proposta de transformar o leito ferroviário em uma Via Expressa voltou ao centro das discussões na Câmara Municipal de Itabira. Durante a reunião desta semana, vereadores defenderam que a Vale avance no projeto de desativação da linha férrea dentro do perímetro urbano e cumpra as contrapartidas previstas na concessão da Estrada de Ferro Vitória – Minas.

Na reunião ordinária de 2 de novembro, o vereador Cidnei Camilo Rabelo, o Didi do Caldo de Cana (PL), apresentou um vídeo conceitual sobre o projeto. Já na última terça-feira (11), ele formalizou a proposta por meio de uma indicação ao Executivo, retomando o debate sobre a necessidade de retirada dos trilhos que cortam bairros como a Vila Amélia e a região da antiga Vale Verde. Segundo o vereador, a obra — prometida há anos — é fundamental para desafogar o trânsito de Itabira. “É o presente que Itabira merece. Essa via expressa vai tirar o movimento pesado do centro, principalmente nos horários de pico. O projeto existe, já passou pela Câmara, mas está parado. Se não tirar do papel, nada acontece”, afirmou.

Projeto existe, mas falta execução, dizem vereadores

O vereador Bernardo Rosa (PSB) reforçou que a retirada da linha férrea é uma exigência da concessão da ferrovia à Vale. Ele lembrou que a empresa apresentou, em 2023, um projeto pronto para lideranças comunitárias, mas sem espaço real para participação popular. “Vieram com um projeto pronto. Eu vou sugerir o quê, se já está decidido?” questionou. Bernardo explicou que a proposta atual prevê apenas uma rua de mão dupla, e não uma avenida, ligando a rotatória atrás do Fórum até a Vila Amélia, com implantação de um parque linear no trecho final. Segundo ele, sem diálogo, a obra corre o risco de não ser utilizada. “Vale precisa parar de comunicar e começar a conversar. Sem pertencimento da população, a obra nasce morta.”

Viaduto no bairro Juca Rosa também entra na pauta

O vereador Rodrigo Assis, o Diguerê (MDB), ampliou o debate ao cobrar outra contrapartida ligada à ferrovia: o viaduto Juca Rosa, que facilitaria o acesso entre bairros como Colina da Praia, Belo Monte e São Cristóvão. “É algo que vai melhorar toda a mobilidade do entorno. A concessão foi renovada por mais 40 anos, mas as contrapartidas precisam aparecer”, afirmou, declarando apoio à indicação de Didi.

Mobilidade saturada aumenta pressão por soluções

Para Elias Lima (Solidariedade), a demanda é urgente diante do colapso frequente do trânsito no centro da cidade. Ele destacou que o acesso do Gabiroba em direção ao Água Fresca já chega a movimentar mais de 10 mil pessoas por dia. “A cidade trava sem explicação. A Vale precisa fazer esse estudo com responsabilidade. E nós, vereadores, temos que pressionar. Sem cobrança, nada anda”, disse.

Presidente da Comissão de Transporte e Trânsito, o vereador Reinaldo Lacerda (PSB) também defendeu a necessidade de diálogo direto entre Vale, Prefeitura, Câmara e associações de bairro. Lacerda participou de reuniões anteriores sobre o tema e reforçou que a Via Expressa é estratégica para integrar bairros como Campestre, Major Lage, Praia e Barreiro. “É uma oportunidade de ter uma grande avenida, mas o projeto apresentado pela empresa não permite participação popular. Se for preciso, vamos convocar audiência pública para reabrir essa discussão”, afirmou.

Ele alertou que, se a Vale executar apenas o parque linear previsto, o município pode ficar com pouca margem para ajustes futuros.