Vexame do Cruzeiro no Estadual tem nome e sobrenome: Adilson Batista

Por mais que o clube esteja envolvido em milhares de problemas, campanha cruzeirense é inadmissível .

Vexame do Cruzeiro no Estadual tem nome e sobrenome: Adilson Batista
Adilson Batista retornou ao clube em dezembro de 2019, na última cartada contra o rebaixamento. Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

O elenco limitado não ajuda. A crítica situação financeira, tampouco. O gramado do Ronaldão também prejudicaria qualquer clube que ousasse encará-lo.

Todos estes fatores ajudam a explicar a não classificação do Cruzeiro para a segunda fase do Mineiro, mas nada disso legitima o vexame, que talvez só não seja maior que o rebaixamento no ano passado, dadas as circunstâncias. Mas ainda assim um vexame.

E se pudéssemos resumir essa “façanha” em duas palavras, certamente seriam: Adilson Batista. Técnico que merece todo o respeito do mundo por sua ligação com o clube, no qual teve boas passagens como jogador e treinador (de 2008 a 2010), e que botou a cara a bater no final de 2019, quando tentou o milagre de evitar a queda. Mas que é sim o maior responsável pela campanha desastrosa no estadual.

Óbvio que não estou empurrando todos os problemas do Cruzeiro no colo de Adilson, seria cruel. Porém, mesmo contando com um elenco limitadíssimo, provavelmente o pior da rica história cruzeirense, o treinador deveria ter feito mais. Ser líder e classificar antecipadamente? Não mesmo, essa missão era do Atlético.

Vitória por 1 a 0 contra a Caldense na noite desta quarta-feira (29) não foi suficiente para classificar o Cruzeiro. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Mas, pelo menos, chegar na última rodada dentro do G4 e dependendo apenas de si para seguir na competição. O atual grupo de jogadores do Cruzeiro é melancólico, mas não é pior que o da Caldense ou da Tombense.

Duvida? Pergunte aos treinadores desses times se eles aceitam receber Marcelo Moreno, Fábio, Maurício, Cacá, entre outros. Alguém acha que a resposta seria um “não”?

Não achei absurda a chegada de Adilson Batista ao Cruzeiro no fim do último Brasileirão. Poucos querem assumir um clube à beira do precipício, e o futebol é tão maluco, que de repente seu amor e respeito à instituição pudessem motivar os jogadores a conseguirem o inimaginável feito. Mas daí dar o planejamento de uma temporada a ele, que não emplaca um bom trabalho há, praticamente, 10 anos? Era começar algo que já tinha prazo de validade. E curto.

Enderson chegou durante a pausa, ganhou alguns reforços (justo dizer) e, com poucos ajustes, mostrou que o Cruzeiro, se não pode ser soberano e arrasador como costumava, é capaz de fazer o mínimo contra as frágeis equipes de um dos estaduais mais frágeis do país.

Os problemas do Cruzeiro vão muito além do campo e ainda demorarão muito para serem resolvidos, especialmente se continuarem a ser tratados nesse ritmo. Mas a eliminação vergonhosa dessa quarta, a incapacidade em abocanhar uma das quatro vagas disponíveis em um campeonato com DOZE times, essas possuem nome e sobrenome: Adilson Batista.

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online

O conteúdo expresso neste espaço é de total responsabilidade do colunista e não representa necessariamente a opinião da DeFato.

MAIS NOTÍCIAS