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“Vivemos com medo todos os dias”: itabirana denuncia impactos da mineração durante ato pelos 10 anos do rompimento da barragem de Fundão

“Vivemos com medo todos os dias”: itabirana denuncia impactos da mineração durante ato pelos 10 anos do rompimento da barragem de Fundão

Foto: Giovanna Victoria/DeFato

Na tarde da última quarta-feira (5), itabiranos organizaram um Ato em Memória e Luta pelos 10 anos do rompimento da barragem de Fundão. Em entrevista ao portal DeFato Online, Márcia Barbosa, moradora do bairro Bela Vista e integrante da comissão dos atingidos pela mineração, relatou os impactos da atividade mineradora sobre a vida da comunidade. O evento começou na Praça Acrísio Alvarenga, seguida de uma caminhada pelas ruas do bairro até o local onde foram construídas as Estruturas de Contenção a Jusante (ECJs).

Márcia relatou os impactos psicológicos enfrentados por sua família após o acionamento de sirenes na região. “Minha filha desenvolveu síndrome do pânico. Tivemos que pagar terapia, e isso abalou toda a nossa família. A saúde emocional vai embora quando se vive com medo constante”, contou.

Além dos danos emocionais, ela também denunciou problemas ambientais e estruturais enfrentados pelos moradores. De acordo com a moradora, o bairro convive com esgoto a céu aberto, presença de animais peçonhentos e rachaduras em várias casas. “O cheiro é insuportável. Esse esgoto é um problema da Vale, da Prefeitura e do Saae. Mas ninguém resolve nada, e a população sofre”, afirmou.

Questionada sobre o suporte oferecido pela mineradora, Márcia explicou que existe um posto de informações para registrar reclamações, mas que as respostas, segundo ela, são “sempre favoráveis à empresa”. “A gente reclama do barulho, da poeira, das rachaduras, e nada é resolvido. Eles dizem que fazem a umectação da área, mas não cuidam das ruas do entorno, onde a poeira chega até nossas casas.”

“Itabira toda é atingida por barragens”, diz a representante dos atingidos pela mineração

Márcia chamou atenção para o fato de que grande parte da população itabirana não se reconhece como atingida, mesmo vivendo cercada por 15 barragens. “A primeira coisa que Itabira tem que saber é que é atingida por barragem. Onde a Vale entra, ela prejudica de alguma forma. Nossas casas foram desvalorizadas, e quando colocaram placas de rota de fuga, deixamos de ser vistos como pessoas, somos tratados como zona de risco”, afirmou.

A representante da comissão dos atingidos também destacou a vulnerabilidade das cerca de 400 famílias que vivem na chamada zona de auto salvamento, áreas mais próximas à barragem. “O nome já diz: cada um por si. A Vale só removeu 17 famílias e diz que não vai tirar mais ninguém. O mínimo seria reparar os danos morais, psicológicos e materiais que sofremos. Temos uma sentença favorável, mas ela não é cumprida. A empresa segue recorrendo”, afirmou.

Encerrando seu depoimento, Márcia reforçou a necessidade de responsabilização da mineradora. “Espero que a Vale perca o julgamento marcado para novembro e que finalmente repare todos os danos que causou a nós, moradores. Já passou da hora de enxergar que por trás dos números e das barragens existem vidas.”

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