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Vorcaro negociará a inclusão do cunhado Fabiano Zettel em delação premiada

O cunhado Fabiano Zettel poderá fazer delação premiada em conjunto com Vorcaro- Foto: Redes sociais/Reprodução

Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master vai incluir o nome de seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel no acordo de delação premiada costurada por seus advogados.

Zettel é apontado pela investigação da Polícia Federal como um operador financeiro de Vorcaro, gerindo seus fundos de investimento e os mais diversos pagamentos.

Periodicamente, Zettel apresentava a contabilidade dos gastos a Vorcaro e pedia autorização para efetuar as despesas.

Entre os pagamentos efetuados pelo pastor, revelados pela PF, estão os repasses ao resort Tayayá, que tinha vínculo acionário de uma empresa do ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao “sicário” Luiz Phillipi Mourão, comandante de um segmento que ameaçava adversários e também invadia os sistemas de investigação.

Interlocutores da família de Vorcaro afirmam que a ideia é incluir Zettel no acordo para apresentar seu relato sobre os fatos que presenciou e obter benefícios do ponto de vista penal. Familiares do ex-banqueiro ressaltam que o cunhado atuava apenas após determinação de ordens e tinha papel secundário nos fatos sob apuração.

Zettel é Casado com Natália, irmã de Vorcaro, e a família demonstra preocupação por ela ter uma filha de dois anos e está grávida.

Natália chegou a ser investigada na segunda fase da Operação Compliance acusada de obter benefícios de desvios fundos do Banco Master. Seu pai, Henrique Vorcaro também aparece nesta mesma investigação, o que cria uma expectativa de que a delação do ex-banqueiro contemple benefícios para o seu pai e sua irmã, tirando-os do foco das investigações.

Formato semelhante foi adotado na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid com o STF, isentando seu pai e sua esposa das investigações da PF.

Vorcaro encontra-se preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, e tem conversado com seus advogados sobre a formatação do seu acordo de delação premiada, ainda sem apresentação de uma lista dos temas a serem abordados na delação, os chamados “anexos” do acordo.

Somente com esses anexos prontos é que se dará prosseguimento das negociações com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, que vai incluir o tempo de prisão e devolução de recursos.

Ex- executivos do Banco Master devem exercer suas defesas de forma independente. Alguns chegaram a ser presos na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro.

Até o momento, nenhum deles foi procurado por interlocutores de Vorcaro para traçar possível estratégia conjunta.

Em declarações à PF, eles afirmaram que não sabiam das fraudes e que as ações realizadas no banco sob ordens de Vorcaro, o que, segundo suas defesas, não haveria motivo para buscar um acordo de delação.

O acordo de Vorcaro deve acelerar também a negociação de delação premiada do dono da gestora de investimento Reag, João Carlos Mansur.

Esses dois acordos devem ser negociados separadamente e são considerados complementares pelos investigadores.

Todos os acordos serão analisados pela PGR e PF, que definirão quais acordos serão aceitos, o que vai depender do nível das informações prestadas e do ineditismo dos relatos.

*Fonte: Estadão

 

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