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Vorcaro tentou vender imóvel de 60 milhões no dia em que foi preso

Prédio do apartamento de R$ 60 milhões- Foto: Reprodução/Vizcaya/Via UOL

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master tentou vender uma cobertura por 60 milhões em 17 de novembro de 2025, dia em que foi preso pela Polícia Federal.

Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação Compliance Zero, solto no dia 28 de novembro e novamente preso na última quarta-feira (4 de março), já na 3ª fase da operação Compliance Zero.

Na quebra de sigilo do banqueiro foram encontrados no e-mail indícios de negociações pela venda de um imóvel identificado como Cobertura Vizcaya, no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo, três dias antes, em 14 de novembro.

Nas negociações, Vorcaro foi representado pela corretora Regiane Bernardes, que disse ter sido designada pelo próprio banqueiro para atuar na venda, com conversas intermediadas por Elaine Portela e Daniel Dequech, da BI (Bolsa de Imóveis).

O advogado Bruno Bianco, ex-ministro da AGU (Advocacia-Geral da União),atuou nas tratativas da parte da compradora, uma empresa identificada como Obsidian.

Ao longo dos e-mails percebe-se que Vorcaro tentou dar celeridade na negociação por diversas vezes, em especial na tarde de 17 de novembro, poucas horas antes de ser preso no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai.

O entrave na negociação foi o termo de quitação do imóvel, que chegou a ser cobrado duas vezes por Bianco e sete vezes por Regiane Bernardes, sendo 5 delas em 17 de novembro. O documento era responsabilidade da intermediária, a Bolsa de Imóveis, e o atraso aconteceu porque a empresa Lúcio Engenharia, parceira no empreendimento, precisava aprovar todos os documentos da operação antes da emissão.

Segundo os e-mails divulgados, na tarde de 17 de novembro, Regiane aumentou a pressão pelo fechamento do negócio, quando ela diz, às 12h28, “estar sendo bastante cobrada” pelo termo de quitação e pede o documento “o quanto antes”. Às 13h33, ela afirma que “tem apenas o dia de hoje para concluir a operação”.

Às 16h47, penúltimo e-mail da conversa, Regiane sobe o tom: “Estamos o dia todo no aguardo dos documentos. Mais cedo, a Dra mencionou que subiria o link do DocuSign para a assinatura do termo. Há algum problema na emissão do documento? Lembrando que o prazo para concluirmos a operação é hoje”.

Após essa mensagem, Elaine Portela envia o comprovante de quitação assinado, e Regiane confirma o recebimento, mas diz que falta a cópia do contrato de SCP (Sociedade em Conta de Participação) firmado na compra original e a liberação de um link para a assinatura digital do Compromisso de Venda e Compra. Ela pede urgência.

Daniel Vorcaro foi detido pela PF por volta das 22h. A negociação não foi concluída.

Bruno Bianco disse ao Poder360 que atuou exclusivamente como advogado de um interessado na aquisição do imóvel.

Bruno Bianco atuou exclusivamente como advogado de um interessado na aquisição do imóvel mencionado. Foi solicitado o envio da carta de quitação, documento que era premissa de continuidade de qualquer tratativa de compra.

Antes que houvesse tempo para análise de qualquer documentação, o domínio do apartamento veio a ficar sujeito a indisponibilidade em razão de fatos alheios à negociação. Assim, as tratativas não prosseguiram.

No exercício da advocacia, sua atuação está submetida ao dever legal de sigilo profissional, razão pela qual não comenta detalhes de eventuais tratativas privadas envolvendo terceiros”.

*Fonte: Poder360

 

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