A votação de um projeto de lei que autoriza a Prefeitura de Itabira a contratar empréstimo de R$ 5,9 milhões junto a Caixa Econômica Federal para a construção do anel hidráulico no município esquentou o clima na Câmara de Vereadores nesta terça-feira, 11 de dezembro. Houve intenso bate-boca entre os parlamentares e até a popular “lavação de roupa suja”. A matéria acabou aprovada, mas não sem antes alguns dos legisladores fazerem uma espécie de mea culpa sobre o que aconteceu durante a reunião. Alguns disseram ter sentido vergonha.
Segundo a Prefeitura de Itabira, o anel hidráulico interligará os sistemas da Estação de Tratamento de Água (ETA) Gatos, que inclui a captação na Barragem de Santana, Pará e Areão, além do recém-construído reservatório do bairro Campestre, ao sistema Juca Batista, que já é integrado aos sistemas Pureza e Rio de Peixe. Pelo texto do projeto, o município terá que acrescentar contrapartida de R$ 311.676,17 à verba acertada com a Caixa. O valor tomado de empréstimo terá de ser pago em 240 meses.
Logo no início das discussões, o vereador Weverton Vetão (PSB) se posicionou contra o empréstimo. Ele reclamou que esse já é o terceiro projeto de acesso a linha de crédito enviado pelo atual governo à Câmara e citou que um dos anteriores, destinado ao prolongamento da avenida Machado de Assis, ainda não saiu do papel. Essa mesma crítica também foi feita por Agnaldo Enfermeiro (PRTB) e Reginaldo Santos (PTB). Os dois, no entanto, disseram que o problema da escassez de água em Itabira é relevante e, por isso, votariam a favor da matéria.
O vice-presidente André Viana (PODE) e Paulo Soares (PRB) foram outros que fizeram críticas à Prefeitura antes de declarar voto favorável à proposta de empréstimo. Do outro lado, o líder do governo Carlin Filho (PODE) e o colega de situação, Allaim Gomes (PDT), saíram em defesa da administração. Eles afirmaram que o projeto do anel hidráulico foi bem detalhado pelo Saae em reuniões de comissão e que será benéfica para cidade essa interligação pretendida.
O clima esquentou mesmo, no entanto, quando o presidente Neidson Freitas (PP) fez críticas ao discurso da oposição. Como já fez em outras oportunidades, o progressista acusou os colegas contrários ao governo de usarem as reuniões para “palanque político”. Reginaldo, Vetão e André Viana discutiram de maneira ríspida com o presidente. Houve acusações de lado a lado e falas sobrepostas. Em determinado momento, Neidson mandou que o microfone de Vetão fosse cortado. Indignado, o socialista se levantou e passou a fazer gestos, chamando o colega de autoritário.
Enquanto outros vereadores falavam sobre o projeto, o clima continuou pesado. Tanto que, ao pedir a palavra, Rodrigo Diguerê (PRTB) fez uma análise sobre o ocorrido instantes atrás. O parlamentar, que já ocupou a presidência da Câmara, pediu desculpas a quem acompanhava a reunião no plenário e pelas rádios e pediu aos colegas um 2019 mais equilibrado. Ele ainda disse que se sentia envergonhado.
Weverton Nenzinho (PMN) foi mais um que fez uma mea culpa em nome dos colegas, mas em tom de crítica. Disse que os vereadores deveriam se preocupar mais em verificar in loco os problemas de Itabira ao invés de dar “gritos vazios” no plenário. Outros parlamentares, na seguida, também lamentaram a confusão.
Ao fim de tudo, o projeto de empréstimo para a Prefeitura foi aprovado, com único voto contrário de Weverton Vetão. A matéria volta à pauta na próxima terça-feira, 18 de dezembro, para a votação em segundo turno.

