As denúncias foram apresentadas por vereadores e população, em audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), ocorrida no município na última quinta-feira (16).
O vereador Alessandro Fábio adianta que os bairros Central, Cidade Nova e Parque Caravela são os mais atingidos pela falta d’água, dependendo diariamente de caminhões-pipa. Ele alerta para um problema adicional: as tubulações com entrada de ar fazem os moradores pagarem por água não consumida. “A maioria dos moradores hoje não pagam a água, eles pagam o ar”, denuncia.
Marcelo da Cláudia Laje (MDB) critica a má qualidade dos serviços de água e esgoto da Copasa, no município desde 2006. O parlamentar aponta que o saneamento básico continua deficiente, com esgoto correndo a céu aberto em várias áreas da cidade.
O deputado Adriano Alvarenga (PP), presidente da comissão e autor do requerimento para a audiência pública, classificou como “não aceitável esgoto a céu aberto em pleno século XXI”, observou. O político anunciou que apresentará as denúncias sobre os serviços precários da concessionária diretamente ao presidente da Copasa, em reunião marcada para 21 de novembro. “Quero mostrar para ele o quanto a Copasa está em falta com Santana do Paraíso e o tanto que tem que investir no município”.
Celinho Sintrocel (PCdoB) criticou a falta de investimentos da Copasa, responsabilidade pelos problemas crônicos do sistema de água e esgoto na cidade. “Para poder melhorar o abastecimento de água, o tratamento de esgoto, o saneamento básico, a Copasa tem que investir, porque ela recebe de todos os cidadãos e cidadãs as taxas, tanto de abastecimento de água quanto de esgoto”, pontuou.
Água com barro e contaminada
Neuza Batista, moradora do distrito, revelou na audiência pública que o poço artesiano da Copasa – localizado a apenas 50 metros do Rio Doce – fica submerso, durante enchentes, pela lama do rompimento da Barragem da Samarco/Vale, em (2015), em Mariana. “A água fica barrenta e ninguém confia na qualidade”, alertou.
O vereador Rodrigo Índio (PP) apresentou uma amostra da água barrenta consumida no distrito, denunciando que moradores são obrigados a comprar água mineral para beber, enquanto os mais pobres filtram e consomem água com excesso de ferro e manganês.
“Desde quando aconteceu o rompimento em Mariana, a gente vem sofrendo com a qualidade da água consumida pelos moradores da comunidade”, lamentou. O distrito tem aproximadamente 3 mil pessoas.
Copasa
Thiago Giselito, gerente regional da Copasa, afirmou que os problemas de abastecimento são “pontuais” e destacou que há 15 dias não ocorrem interrupções no serviço. O dirigente anunciou investimentos em reservatórios e equipamentos para regularizar o fornecimento, além de R$ 40 milhões aplicados em esgotamento sanitário. Há dois anos, apenas 2% da cidade contava com a coleta e tratamento de resíduos.
Sobre a água contaminada em Ipabinha, Giselito prometeu visitar o distrito para verificar a qualidade da água e buscar soluções necessárias para o problema.

