Água barrenta e esgoto a céu aberto: o drama diário de Santana do Paraíso

As denúncias foram apresentadas por vereadores e moradores, em audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte

Água barrenta e esgoto a céu aberto: o drama diário de Santana do Paraíso
Foto: Guilherme Bergamini/ALMG

Os 44.800 habitantes do município de Santana do Paraíso (Vale do Aço) enfrentam falta diária de água, enquanto os moradores do Distrito de Ipabinha consomem água do Rio Doce ainda contaminada por rejeitos do desastre de Mariana (2015).

As denúncias foram apresentadas por vereadores e população, em audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), ocorrida no município na última quinta-feira (16).

O vereador Alessandro Fábio adianta que os bairros Central, Cidade Nova e Parque Caravela são os mais atingidos pela falta d’água, dependendo diariamente de caminhões-pipa. Ele alerta para um problema adicional: as tubulações com entrada de ar fazem os moradores pagarem por água não consumida. “A maioria dos moradores hoje não pagam a água, eles pagam o ar”, denuncia.

Marcelo da Cláudia Laje (MDB) critica a má qualidade dos serviços de água e esgoto da Copasa, no município desde 2006. O parlamentar aponta que o saneamento básico continua deficiente, com esgoto correndo a céu aberto em várias áreas da cidade.

Foto: Guilherme Bergamini/ALMG

O deputado Adriano Alvarenga (PP), presidente da comissão e autor do requerimento para a audiência pública, classificou como “não aceitável esgoto a céu aberto em pleno século XXI”, observou. O político anunciou que apresentará as denúncias sobre os serviços precários da concessionária diretamente ao presidente da Copasa, em reunião marcada para 21 de novembro. “Quero mostrar para ele o quanto a Copasa está em falta com Santana do Paraíso e o tanto que tem que investir no município”.

Celinho Sintrocel (PCdoB) criticou a falta de investimentos da Copasa, responsabilidade pelos problemas crônicos do sistema de água e esgoto na cidade. “Para poder melhorar o abastecimento de água, o tratamento de esgoto, o saneamento básico, a Copasa tem que investir, porque ela recebe de todos os cidadãos e cidadãs as taxas, tanto de abastecimento de água quanto de esgoto”, pontuou.

Água com barro e contaminada

Neuza Batista, moradora do distrito, revelou na audiência pública que o poço artesiano da Copasa – localizado a apenas 50 metros do Rio Doce – fica submerso, durante enchentes, pela lama do rompimento da Barragem da Samarco/Vale, em (2015), em Mariana. “A água fica barrenta e ninguém confia na qualidade”, alertou.

O vereador Rodrigo Índio (PP) apresentou uma amostra da água barrenta consumida no distrito, denunciando que moradores são obrigados a comprar água mineral para beber, enquanto os mais pobres filtram e consomem água com excesso de ferro e manganês.

“Desde quando aconteceu o rompimento em Mariana, a gente vem sofrendo com a qualidade da água consumida pelos moradores da comunidade”, lamentou. O distrito tem aproximadamente 3 mil pessoas.

Copasa

Thiago Giselito, gerente regional da Copasa, afirmou que os problemas de abastecimento são “pontuais” e destacou que há 15 dias não ocorrem interrupções no serviço. O dirigente anunciou investimentos em reservatórios e equipamentos para regularizar o fornecimento, além de R$ 40 milhões aplicados em esgotamento sanitário. Há dois anos, apenas 2% da cidade contava com a coleta e tratamento de resíduos.

Sobre a água contaminada em Ipabinha, Giselito prometeu visitar o distrito para verificar a qualidade da água e buscar soluções necessárias para o problema.

*Com ALMG.