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ALMG pressiona por ampliação de prazos do Propag ante impasse sobre avaliação de ativos

ALMG pressiona por ampliação de prazos do Propag ante impasse sobre avaliação de ativos

Tadeu Leite, presidente da ALMG, em entrevista coletiva - Foto: Guilherme Dardanha

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), liderada pelo deputado Tadeu Leite (MDB), voltou a defender a prorrogação dos prazos previstos no decreto federal que regulamenta o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), diante da impossibilidade técnica do Estado cumprir a manifestação exigida até o final de outubro devido à demora na avaliação dos ativos pelo BNDES.

Impasse técnico e política

Em entrevista coletiva após a reunião plenária desta quarta-feira (20), o presidente da ALMG relatou que, durante encontro em Brasília com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, além de técnicos da Fazenda e da Casa Civil, apresentou o conflito entre os prazos legais e a realidade técnica: o decreto exige a manifestação sobre federalização dos ativos até 31 de outubro, mas o BNDES sinaliza só poder concluir as avaliações entre nove e dezoito meses depois — o que levaria ao meio de 2026.

Além disso, a ALMG aguarda um retorno da ministra Gleisi ainda nesta semana sobre o pleito de extensão do prazo até 2026. A expectativa foi reforçada pela sinalização do governo federal de que poderia haver espaço para revisão do decreto

Entretanto, conforme levantado por fontes da Fazenda, o marco legal do próprio Propag — estipulado no Decreto 12.433/2025 — já prevê uma “janela” que permite inclusive a federalização dos ativos até 30 de junho de 2026, nos casos em que a negociação e divulgação do acordo não possam ser concluídas até 31 de dezembro de 2025. Esse dispositivo contratual oferece adicional margem de manobra, embora ainda dependa de negociação política e execução técnica.

Passo a passo e ações previstas

O deputado Tadeu Leite destacou que, caso a prorrogação não seja confirmada até o início da próxima semana, a ALMG montará um cronograma interno para votação dos projetos relacionados ao pacote Propag, priorizando aqueles com maior consenso entre os parlamentares.

Ele reiterou que o prazo de outubro diz respeito apenas à manifestação do governo estadual — não conflitando com a tramitação dos projetos na Assembleia, que, segundo ele, pode ocorrer até o final do ano.

Vale lembrar que já foram aprovados pela Casa os projetos que autorizam a federalização da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e de sua controladora, a Codemge, consideradas “ativos mais valiosos” para a negociação

Procedimentos em curso

Paralelamente, o BNDES abriu em 7 de agosto uma consulta pública para interessados em prestar serviços técnicos de avaliação das estatais mineiras — incluindo Cemig, Copasa, Codemig, Codemge e MGI S.A. Após essa fase, será iniciado o processo de licitação para contratação de consultores que produzirão os laudos técnicos

Segundo a própria instituição financeira, a elaboração dessas avaliações para subsidiar a federalização exige entre 9 e 18 meses, dependendo da complexidade do ativo

Repercussão e próximos passos

O impasse já motivou o vice-governador Mateus Simões (Novo) a questionar oficialmente ao governo federal se a União concordaria em receber a oferta dos ativos antes das leis autorizativas serem aprovadas pela ALMG — procedimento que, segundo ele, poderia reduzir riscos e assegurar melhor planejamento

Diante do cenário, o presidente da ALMG conclamou serenidade e responsabilidade no processo legislativo, especialmente nas votações que envolvem a renegociação da dívida. Ele ressaltou a importância de ouvir parlamentares e sociedade, sem pressa ou imposições, para garantir uma solução sólida e favorável ao Estado.

“Independentemente das pautas do governo federal e do Governo do Estado, aqui na Assembleia vamos continuar trabalhando e perseguindo o que a gente acha que é o correto para o Estado”, afirmou Tadeu Leite

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