Trabalhadores da ArcelorMittal decidiram intensificar a mobilização em defesa de mudanças no modelo de turno de trabalho e aprovaram, na sexta-feira (22), o estado de greve durante assembleia promovida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal). A decisão acontece um dia após a empresa solicitar a retomada das negociações com a categoria, movimento que veio após uma manifestação realizada na quinta-feira (21), em frente à usina.
A assembleia reuniu trabalhadores que atuam em turno fixo e consolidou o clima de insatisfação da categoria diante da ausência de avanços nas tratativas relacionadas ao acordo de turno de revezamento, principal pauta do movimento sindical.
De acordo com o sindicato, participaram da votação 298 trabalhadores, com o seguinte resultado:
- 286 votos favoráveis à deflagração do estado de greve (96%);
- 11 votos contrários (3,6%);
- 1 voto nulo (0,3%).
Segundo o Sindmon-Metal, a decisão “demonstra a insatisfação com a falta de avanços nas negociações e reforça a luta por valorização e respeito aos trabalhadores”.
Estado de greve mantém categoria mobilizada
Embora aprovado em assembleia, o estado de greve não representa paralisação imediata das atividades. Trata-se de um mecanismo legal que mantém a categoria mobilizada e em alerta, podendo evoluir para greve caso não haja avanço nas reivindicações.
“O estado de greve é um instrumento de mobilização que mantém a categoria em alerta e organizada, sem paralisação imediata das atividades”, destacou o sindicato.
Ainda conforme a entidade, “na prática, significa que a categoria permanece em alerta e organizada, podendo intensificar o movimento caso não haja acordo ou avanço nas reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. O estado de greve não é a greve propriamente dita, mas sim uma aprovação prévia que serve como um alerta formal ao empregador”.
O Sindmon-Metal informou ainda que já encaminhou a comunicação formal à empresa, conforme prevê a Lei Federal nº 7.783/1989, que regulamenta o direito de greve.
Pressão aumenta após manifestação
A aprovação do estado de greve acontece no dia seguinte à mobilização promovida pelo sindicato em frente à unidade industrial da ArcelorMittal, em João Monlevade. O ato reuniu trabalhadores e entidades sindicais da região para cobrar avanços nas negociações sobre a implantação da escala 4×4.
O modelo defendido pelos trabalhadores prevê jornadas de 12 horas, com quatro dias de trabalho seguidos por quatro dias de folga. Segundo o sindicato, esse formato já é adotado em outras plantas da ArcelorMittal, mas ainda não foi implementado na unidade monlevadense.
Após a manifestação, a empresa procurou o sindicato. “Após a grande mobilização realizada nessa quinta-feira (21), a ArcelorMittal solicitou ao Sindmon-Metal a reabertura das negociações sobre o acordo de turno de revezamento. Uma nova reunião entre as partes já foi agendada para o dia 26/05”, informou a entidade.
O sindicato avalia a sinalização como positiva, mas reforça que a mobilização continua. “O Sindicato entende que a retomada das negociações é um passo importante e reforça aquilo que sempre defendemos: o diálogo deve ser o principal caminho para a construção de uma solução justa, equilibrada e que respeite os trabalhadores”, concluiu.
A expectativa agora se volta para a reunião marcada para a próxima terça-feira (26), quando sindicato e empresa devem voltar a discutir as reivindicações da categoria.

