Em meio a ameaça de greve na ArcelorMittal, sindicato divulga carta aberta à população de João Monlevade
A principal reivindicação da categoria é a implantação da escala 4×4, modelo em que os funcionários trabalham por 12 horas durante quatro dias consecutivos e depois têm quatro dias de folga
O Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal), se manifestou através de uma carta aberta à população, após trabalhadores terem realizado uma manifestação para cobrar mudanças no modelo de turno de revezamento adotado na usina da ArcelorMittal. O ato aconteceu na manhã desta quinta-feira (21), em meio a um impasse nas negociações entre trabalhadores e empresa e ampliou a pressão às vésperas de uma assembleia que pode culminar em greve, programada para amanhã (22).
Através da carta, o Sindmon-Metal afirmou que a manifestação teve como principal objetivo defender melhores condições de trabalho, saúde, segurança e qualidade de vida para os trabalhadores da empresa. O documento foi publicado após o protesto que provocou congestionamento na avenida Getúlio Vargas, em João Monlevade.
No texto, o sindicato destaca que a mobilização foi organizada de forma “pacífica e responsável”, contando com a participação de trabalhadores, dirigentes sindicais e entidades parceiras. Segundo a entidade, o ato ocorreu após um longo processo de negociação marcado por dificuldades de diálogo com a empresa.
A principal reivindicação da categoria é a implantação da escala 4×4, modelo em que os funcionários trabalham por 12 horas durante quatro dias consecutivos e depois têm quatro dias de folga. De acordo com o Sindmon-Metal, o sistema já funciona em outras unidades da siderúrgica, mas ainda não foi adotado em João Monlevade.
No documento, o sindicato afirma que o atual modelo de jornada vem causando preocupação entre os trabalhadores devido aos impactos na saúde física e mental, além de prejuízos à convivência familiar e à vida social. “Nossa luta não é apenas por salário ou escala de trabalho. É pela preservação da dignidade humana, pela valorização da vida e pelo direito de trabalhadores e trabalhadoras terem condições adequadas para exercer suas funções sem comprometer sua saúde e suas famílias”, diz trecho da carta.
Durante o protesto, motoristas enfrentaram lentidão e um congestionamento quilométrico na avenida Getúlio Vargas, uma das principais vias de ligação urbana de João Monlevade. O impacto foi registrado principalmente no horário de pico da manhã. O texto reconhece os transtornos causados durante a manifestação e, segundo o sindicato, houve preocupação permanente em garantir a passagem de veículos prioritários, especialmente os ligados à área da saúde e atendimentos de urgência.
Na carta, o Sindmon-Metal também defende que os avanços trabalhistas historicamente ocorreram por meio da mobilização coletiva e afirma que continuará utilizando instrumentos legais de manifestação e pressão para defender os interesses da categoria. O movimento contou com apoio de entidades sindicais da região, entre elas o Sindicato Metabase de Itabira e Região, o Sintramon, o Metasita e organizações ligadas à Central Única dos Trabalhadores do Vale do Aço.
Confira a carta na íntegra
“O Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade vem a público esclarecer os motivos da manifestação realizada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, nas vias de acesso à usina da ArcelorMittal em João Monlevade. A mobilização foi construída de forma organizada, pacífica e responsável, contando com a participação de trabalhadores, dirigentes sindicais e sindicatos parceiros, como parte do processo de luta em defesa de melhores condições de trabalho, saúde, segurança e qualidade de vida para os trabalhadores da empresa.
Sabemos que a manifestação causou impactos no trânsito e transtornos à população, especialmente por se tratar de uma região estratégica para o deslocamento de trabalhadores, estudantes e acesso a serviços essenciais. Por isso, queremos registrar nosso respeito à comunidade e esclarecer que houve preocupação permanente para garantir a passagem de veículos prioritários, especialmente aqueles ligados à área da saúde e atendimentos de urgência.
Infelizmente, chegamos a esse ponto após um longo processo de negociação marcado pela dificuldade de diálogo e pela insistência da empresa em manter, de forma unilateral, um modelo de jornada que vem causando grande preocupação entre os trabalhadores devido aos impactos sobre a saúde física, mental, convivência familiar e vida social. Nossa luta não é apenas por salário ou escala de trabalho. É pela preservação da dignidade humana, pela valorização da vida e pelo direito de trabalhadores e trabalhadoras terem condições adequadas para exercer suas funções sem comprometer sua saúde e suas famílias.
Quando um trabalhador adoece, toda a família sofre junto. E em uma cidade como João Monlevade, direta ou indiretamente, praticamente toda a população conhece alguém que trabalha dentro da usina — seja um familiar, amigo ou vizinho. Temos consciência de que manifestações geram desconfortos momentâneos. Porém, a história demonstra que os avanços sociais e trabalhistas sempre foram conquistados através da união, da mobilização e da luta organizada dos trabalhadores.
O Sindicato permanece disposto ao diálogo sério e responsável, desde que exista da parte da empresa real disposição para negociar e construir soluções que respeitem os trabalhadores. No entanto, a categoria também exige do Sindicato uma postura firme, enérgica e compatível com a gravidade do momento, inclusive com a utilização legítima dos instrumentos constitucionais de mobilização e manifestação em defesa de direitos, da saúde, da segurança e de condições dignas de trabalho.
Nenhum direito trabalhista foi conquistado com silêncio ou passividade. E o Sindicato seguirá cumprindo seu papel histórico de defender os interesses da categoria, sempre dentro da legalidade, da organização e do respeito à sociedade.
Por fim, pedimos a compreensão, o apoio e a solidariedade da população nesta luta, que busca não apenas defender direitos trabalhistas, mas contribuir para uma sociedade mais justa, humana e digna para todos”.




