A ArcelorMittal solicitou a retomada das negociações com os trabalhadores da unidade de João Monlevade sobre o acordo de turno, após a manifestação realizada ontem (21). A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal), que informou que uma nova reunião entre sindicato e empresa foi marcada para o próximo dia 26 de maio.
O protesto reuniu trabalhadores e representantes de entidades sindicais da região e ocorreu em meio ao impasse envolvendo a escala de trabalho adotada na usina. A principal reivindicação da categoria é a implantação do modelo 4×4, no qual os funcionários trabalham durante quatro dias consecutivos em jornadas de 12 horas e folgam nos quatro dias seguintes.
Segundo o sindicato, 684 trabalhadores que atuam diretamente no regime de turno são afetados pela discussão. A entidade afirma que o modelo reivindicado já é adotado em outras unidades da empresa no país.
Durante a mobilização, representantes sindicais criticaram o atual sistema de jornada e cobraram avanços nas negociações. O do Sindmon-Metal, Flávio Cordeiro de Paiva, destacou que o movimento contou com apoio de sindicatos e entidades ligadas à Central Única dos Trabalhadores do Vale do Aço, além de representantes sindicais de outras cidades da região.
Apesar da retomada das negociações, o sindicato informou que permanece mantida a assembleia convocada para discutir a possibilidade de estado de greve e outras medidas de mobilização da categoria.
“Estamos aqui com a CUT Regional Vale do Aço, Federação Estadual dos Metalúrgicos, Metabase Itabira, companheiros de Timóteo, sindicatos dos servidores públicos e diversas entidades parceiras. Isso aqui é uma mobilização pacífica, mas extremamente forte. É a demonstração clara de que os trabalhadores estão unidos e não aceitarão retrocessos.”
André Viana, presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, entidade que prestou apoio ao SindMon-Metal, afirmou que os trabalhadores defendem uma jornada que permita maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
“Os trabalhadores querem um turno digno. Das quatro unidades da empresa no Brasil, três já adotam o modelo quatro por quatro. Aqui em João Monlevade, a empresa insiste em impor o seis por dois sem diálogo. O trabalhador precisa de qualidade de vida, precisa descansar, estudar, conviver com a família, praticar sua fé, ter lazer. Ninguém vive para trabalhar. As pessoas trabalham para viver e querem viver com dignidade”, destacou.

