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Atendimentos de envenenamentos por abelhas crescem em 40%, diz Hospital João XXIII

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Foto: Roberto Murta

O aumento no número de atendimentos a envenenamentos por abelhas tem chamado a atenção dos profissionais do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Minas Gerais (CIATox MG), do Hospital João XXIII (HJXXIII), da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig). O serviço, que é referência para casos mais graves, recebeu 61 pacientes em decorrência desse tipo de acidente, de janeiro a agosto do ano passado. No mesmo período de 2023, foram 104 pessoas atendidas. Um crescimento de mais de 40%.

O médico e coordenador da Toxicologia do HJXXIII, Adebal Andrade Filho, explica que esse tipo de acidente é subnotificado e relativamente comum durante todo o ano, mas com menor incidência durante o inverno. “Uma boa parte das abelhas no Brasil são africanizadas. São mais agressivas e podem reagir a estímulos, com liberação de grande número de abelhas das colmeias. São atraídas por ruídos, cores fortes e odores. Os acidentes ocorrem tanto no meio rural quanto na zona urbana e, apesar de potencialmente graves, tendem a ser subestimados pela população”, ressalta.

Uma única picada de abelha pode levar uma pessoa alérgica ou cardiopata a óbito. E casos de múltiplas picadas são considerados graves independentemente da condição do paciente, podendo gerar comprometimento de órgãos como fígado e rins. “Dez por cento dos casos são considerados moderados e graves. Entre os sintomas estão a reação alérgica – com dor, edema local e de glote – insuficiência respiratória, vômitos, dor de cabeça, queda da pressão arterial, convulsões, insuficiência renal e destruição de fibras musculares”, destaca o coordenador.

Prevenção

A retirada de colônias de abelhas deve ser feita por profissionais treinados e equipados. Vestuário e equipamentos como macacão, luvas, máscara, botas e fumigador são essenciais.Em geral, barulhos intensos, perfumes fortes e cores escuras podem desencadear o comportamento agressivo e, consequentemente, o ataque de abelhas.

Outros animais

A temporada de calor e chuva favorece a ocorrência de acidentes com escorpiões e serpentes. Isso porque é nessa época do ano que esses animais saem em busca de lugares secos para se abrigarem, aumentando a probabilidade de estarem presentes nas residências. Há também um aumento das atividades humanas, tanto de lazer quanto de trabalho, em áreas verdes.

Foto: Fernanda Moreira Pinto

Em Minas Gerais, os acidentes com escorpiões são os mais recorrentes. Em 2022, o CIATox atendeu 1.654 casos. Este ano, até agosto, foram 1.051 atendimentos. Em relação às serpentes, foram 725 atendimentos no ano passado e 492 até agosto de 2023.Adebal Andrade orienta sobre os primeiros socorros em casos de acidentes mais graves: “A primeira providência é afastar a vítima do animal peçonhento. Se possível, fotografá-lo, em vários ângulos, para que possa ser identificado pela equipe que atenderá o paciente. Caso seja capturado, é importante levá-lo, em segurança, para o local de atendimento. Tais procedimentos tornam o tratamento mais ágil e seguro”, explica o especialista, que ainda ressalta a necessidade de avaliação médica imediata. “Em algumas situações, a evolução para um quadro grave pode ser rápida”.

Cuidados

O coordenador da Toxicologia do HJXXIII esclarece como situações de risco podem ser evitadas. “Os acidentes com serpentes ocorrem geralmente em jardins, quintais e plantações. As regiões do corpo mais atingidas são mãos, braços, pés e pernas. Por isso, o uso de equipamentos de proteção, como botas e luvas de raspas de couro, é importante e previne 80% dos casos. Já os escorpiões são mais comuns em áreas urbanas e o cuidado deve ser intensificado para que não entrem em casa. É recomendado usar telas metálicas nos ralos, manter a limpeza de áreas externas e utilizar rodo vedador de portas”, indica.Crianças menores de sete anos e idosos estão mais suscetíveis a complicações por acidentes com animais peçonhentos. Por isso, outra dica importante é sempre balançar calçados e roupas antes da utilização, pois escorpiões podem estar escondidos nas peças.

Em caso de acidentes, o CIATox pode ser acionado para orientações sobre os primeiros socorros até o encaminhamento à unidade de saúde. Os telefones são (31) 3224-4000, 3239-9390, 3239-9308 ou 0800-7226001.

*Agência Minas

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