O crescimento dos atendimentos em saúde mental em Belo Horizonte entrou na pauta da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Dados oficiais mostram que a demanda pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS-BH) aumentou de forma significativa nos últimos dois anos. O cenário acende um alerta para a capacidade da rede e para a necessidade de novos investimentos.
Em 2024, foram registrados 242.267 atendimentos. Já em 2025, o número subiu para 297.721, um crescimento de quase 23%. Além disso, a média mensal ultrapassou 26 mil atendimentos em diversos meses do ano passado.
Diante desse avanço, vereadores passaram a discutir a estrutura disponível e os impactos da sobrecarga nos serviços. O debate ocorre especialmente no início do ano legislativo, quando são analisadas prioridades para o orçamento de 2026.
Aumento da demanda pressiona serviços que funcionam 24 horas
Segundo informações da Prefeitura, a RAPS-BH atende casos de crise e sofrimento psíquico grave. No entanto, o aumento contínuo da procura tem gerado preocupação entre parlamentares.
“A Rede de Atenção Psicossocial de Belo Horizonte conta com oito Centros de Referência em Saúde Mental (CERSAMs), cinco CERSAMs Álcool e outras Drogas e três centros especializados para crianças e adolescentes (CERSAMis). Todos funcionam 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados”, informou a PBH.
Além disso, a Prefeitura destaca que a rede inclui 34 residências terapêuticas, 10 equipes de Consultório na Rua, duas Unidades de Acolhimento Transitório, nove Centros de Convivência e os 153 centros de saúde da capital.
Ainda assim, vereadores avaliam que a estrutura atual precisa ser ampliada. Segundo eles, o crescimento da demanda afeta o tempo de espera e a continuidade do cuidado. Por isso, o tema deve seguir em discussão ao longo de 2026.
Educação entra no debate sobre saúde mental
Nesse contexto, a Câmara também relaciona o avanço dos atendimentos às condições do ambiente escolar. Durante o recesso, a Prefeitura informou a realização de obras em 72 unidades da rede municipal de ensino, com investimento de R$ 10,8 milhões.
As intervenções incluem reformas estruturais, ampliação de salas, melhorias na acessibilidade e adequações de segurança. Segundo especialistas citados no debate legislativo, espaços mais adequados contribuem para o bem-estar emocional de estudantes e profissionais da Educação.
“Essas intervenções fazem parte do planejamento permanente da Secretaria Municipal de Educação para preparar as unidades escolares para a volta às aulas”, afirmou a PBH, em nota.
Por outro lado, vereadores defendem que obras físicas precisam caminhar junto com políticas permanentes de cuidado psicológico, especialmente para crianças e adolescentes.
Recursos previstos para 2026 seguem sob análise
A Prefeitura informou que os recursos previstos para 2026 devem gerar impactos positivos no atendimento em saúde mental. Parte do orçamento inclui emendas parlamentares destinadas ao custeio de serviços.
“O fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial é essencial para garantir cuidado oportuno e integral”, destacou o Executivo municipal.
Na Câmara, entretanto, parlamentares reforçam a necessidade de acompanhar a execução desses recursos. Além disso, cobram transparência e monitoramento contínuo dos indicadores da rede.
Janeiro Branco reforça alerta sobre saúde mental
O debate ocorre durante o Janeiro Branco, campanha nacional voltada à conscientização sobre saúde mental. O aumento dos atendimentos em Belo Horizonte reforça a urgência do tema como política pública permanente.
Especialistas apontam que os números refletem não apenas maior busca por ajuda, mas também o agravamento de fatores sociais, econômicos e emocionais. Por isso, o Legislativo municipal defende ações integradas entre saúde, educação e assistência social.
Canais de atendimento em saúde mental em Belo Horizonte
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CERSAMs, CERSAMs-AD e CERSAMis – atendimento 24h
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Centros de Saúde – 153 unidades
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SAMU – 192 (urgências)
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Disque Saúde – 136
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CVV – Centro de Valorização da Vida: 188 (24h, gratuito)

