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Aumento da recusa em se vacinar contra a Covid-19 volta a lotar UTI’s

Leitos de UTI crescem 52% em dez anos; mas distribuição é desigual

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

Com problemas na distribuição de vacinas, quase 70% da população brasileira segue sem imunização, seja duas doses ou dose única da Janssen. Além disso, o avanço da supertransmissível variante Delta da Covid-19 assusta médicos e especialistas.  Mas, atualmente, outro perigo pode prolongar ainda mais o tempo de pandemia: as pessoas que se recusam a se vacinar.

O número de brasileiros que estão deixam de receber as doses dos imunizantes vem aumentando rapidamente. Entre as principais consequências já percebidas está o fato de que as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) das principais capitais do país voltaram a lotar.

Entre os motivos para a recusa, os especialistas citam: ignorância, paranoia, religião, ideologia, desinformação, egoísmo e crença em falsos tratamentos. De acordo com a coordenadora médica da Terapia Intensiva do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, no Rio de Janeiro, Ana Helena Barbosa da Silva, a situação voltou a ficar desgastante.

“A gente não aguenta mais ver gente morrer. A Covid-19 pode ser controlada com vacinas. E há quem se recuse a ser imunizado. É de rasgar o peito ver jovens morrendo. Pelo amor de Deus, se vacinem. Precisamos também que alguns líderes religiosos se conscientizem sobre as consequências trágicas de sua negação deliberada da ciência”, desabafa.

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, disse que 95% dos internados no município são pessoas que não se vacinaram e apenas cerca de 5% dos internados tomaram ao menos a primeira dose. Segundo ele, 90% dos cariocas acima dos 40 anos tomaram a primeira dose. Mas lamenta que uma minoria continue a prejudicar o combate da pandemia. “Onde há pessoas que não se vacinam, há internação e morte”, afirma.

O mal da negação

A pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Margareth Dalcolmo, diz que no Brasil não existe um movimento antivacina. “Aqui temos a ignorância politizada, que tem seus efeitos amplificados por campanhas tóxicas de desinformação nas redes sociais” destaca Dalcolmo.

A chefe da Unidade de Doenças Infecciosas Parasitárias do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe-Uerj), Anna Caryna Cabral, explica que a situação está acontecendo em todo o país. Para ela, a pandemia amplificou um problema que já ocorria com outras doenças, alimentado pela ignorância.

“No tratamento da Aids e da tuberculose, por exemplo, alguns pacientes ouvem de seus guias espirituais que estão curados, não precisam de remédios nem de vacinas. Na Covid-19 não é diferente. Quando o doente fica bom, dizem que foi a religião, o chá. O médico leva a culpa, mas não o crédito”, conta Anna Cabral.

A chefe da UTI Covid-19 do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Ludhmila Hajjar, lamenta que uma minoria de pessoas prejudique o combate à pandemia de forma tão efetiva. “Infelizmente, ainda há quem continue a tomar ivermectina, na ilusão do tratamento precoce”, afirma.

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