Na última sexta-feira (11), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve presente na fábrica da Biomm, em Nova Lima para o receber o primeiro lote de insulinas produzidas pelo governo brasileiro em parceria com a farmacêutica indiana Wockhardt. Por meio do programa da Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), a medida tornará viável a fabricação do medicamento com produção nacional. O investimento do Ministério da Saúde foi de R$142 milhões.
A primeira entrega da Biomm envolveu 207, 3 mil unidades do medicamento, sendo 32% de insulina regular e outros 68% de insulina NPH. A previsão do governo é produzir 45 milhões de doses NPH pelo Sistema Único de Saúde (o SUS), após a transferência total da tecnologia. Esses números representam a metade da demanda nacional.
O Estado brasileiro investiu R$142 milhões na compra de tecnologia, com o intuito de fornecer o medicamento a 350 mil pacientes de todo o país. A expectativa é que, até o ano que vem, as unidades da rede pública recebam 8 milhões de frascos e canetas de insulina. Dados da pesquisa Vigitel, de 2023, apontaram que a diabetes atinge 10,2% da população nacional, o que representa cerca de 20 milhões de pessoas.
Alexandre Padilha definiu a tarde de ontem como um “dia histórico”, reforçando que o Brasil passou 20 anos sem produzir insulina humana. “Uma medida com oessa traz segurança aos pacientes de que, independentemente de qualquer crise — como a pandemia — o país tem soberania na produção desse medicamento tão importante”, afirmou o ministro, em Nova Lima.
Nova política para combater a dependência tecnológica
A iniciativa integra da Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Na visão do governo, a medida é uma chave para a redução da dependência externa na aquisição de medicamentos essenciais. Agora, após a aquisição da tecnologia, chega a etapa de sua transferência. A partir desse momento, a produção de insulina será totalmente brasileira, com da Funed e a Biomm.
São as diretrizes das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que regem o processo de transferência tecnológica. Sendo assim, tanto as instituições públicas quanto as empresas privadas compartilham a produção do IFA (insumo farmacêutico ativo). A efetivação da transferência inclui as embalagens, o controle de qualidade dos insumos e, enfim, a produção do medicamento.
O Ministério também aprovou a produção brasileira da insulina glargina, em projeto que envolve também a Biomm, além da farmacêutica chinesa Gan & Lee e da Fundação Osvaldo Cruz. O projeto prevê a produções de 20 milhões de frascos para o estoque do SUS, para tratar pacientes com diagnósticos de diabetes mellitus tipos 1 e 2.
Em atividade desde 2001, a Biomm é uma empresa brasileira de biotecnologia com expertise na produção de insulinas. Com sede em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, desde 2017, tem o registro de 20 patentes e mantém contratos com os laboratórios MannKind Corporation (dos EUA) e o Celltrion Healthcare (Coreia do Sul).

