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Carnaval de Belo Horizonte amplia espaço para diversidade religiosa nas ruas

Primeiro fim de semana do Carnaval de BH reúne cerca de 100 mil foliões em 43 desfiles pela cidade

Foto: Reprodução/PBH

A presença de manifestações religiosas diversas tem ganhado maior visibilidade no Carnaval de Belo Horizonte, especialmente a partir da retomada dos desfiles de rua na última década. Blocos, afoxés e cortejos ligados a religiões de matriz africana passaram a ocupar espaços centrais da cidade, em um contexto marcado por disputas simbólicas sobre o uso do espaço público e pela convivência entre diferentes expressões de fé. 

Esse movimento, segundo avaliação da Belotur, não surgiu por indução institucional, mas a partir da organização dos próprios coletivos culturais. Em resposta enviada à reportagem, a empresa municipal afirma que o reconhecimento do carnaval da capital como espaço plural se construiu de forma gradual, com posterior incorporação às políticas públicas voltadas à organização da festa.

“O reconhecimento nacional do Carnaval de Belo Horizonte como uma festa aberta à diversidade sexual e de gênero nasce de um movimento espontâneo e genuinamente popular, protagonizado pelos blocos de rua”, informou a Belotur. Segundo o órgão, a atuação do poder público se concentra na garantia de infraestrutura, segurança e ordenamento urbano, sem interferir nos recortes religiosos, identitários ou estéticos adotados pelos grupos.

No campo religioso, a Belotur destaca que hoje é possível identificar blocos e manifestações que dialogam diretamente com religiões não católicas, sobretudo as de matriz africana. “Essas expressões integram a construção histórica, cultural e identitária do Carnaval da cidade”, afirmou o órgão, acrescentando que a Prefeitura atua para assegurar a liberdade religiosa e prevenir situações de intolerância durante os desfiles.

Exemplos desse cenário aparecem em blocos tradicionais da programação. O Baianas Ozadas, por exemplo, mantém em seu cortejo referências a rituais afro-brasileiros, como a lavagem simbólica da escadaria da Igreja São José, em diálogo com tradições do candomblé e do afoxé. Já o Batuque Coletivo aposta em temas ligados à música mineira e à identidade cultural, inserindo o debate sobre pertencimento e memória no contexto da festa.

Além da dimensão religiosa, o carnaval belo-horizontino também se consolidou como espaço de expressão de diferentes sexualidades e identidades de gênero. Desde os primeiros anos da retomada dos blocos de rua, coletivos LGBTQIA+ passaram a ocupar as avenidas com desfiles próprios, ampliando a visibilidade de pautas ligadas à diversidade e ao direito à cidade.

Nos editais e chamamentos públicos, a Belotur afirma que o princípio adotado é o da autonomia dos blocos. “Não há imposição de recortes estéticos, religiosos ou identitários. O foco é garantir igualdade de condições de participação e um ambiente seguro e respeitoso”, informou o órgão. A organização da festa envolve ainda a atuação integrada com outras áreas da administração municipal, voltada à mediação de conflitos e à prevenção de discriminações.

Com mais de 500 blocos cadastrados nas edições recentes, o Carnaval de Belo Horizonte se transformou em um espaço onde diferentes crenças, corpos e identidades compartilham o espaço urbano. A ampliação da diversidade religiosa e a presença consolidada de pautas ligadas à sexualidade refletem mudanças mais amplas na relação da cidade com suas manifestações culturais e com o uso coletivo das ruas.

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