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Casos de sífilis registram aumento em Minas Gerais; saiba identificar sintomas

teste de sífilis

O teste rápido para sífilis tira apenas uma gota de sangue da ponta do dedo do paciente para análise do material. (Foto: Fábio Marchetto/Divulgação)

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), nos últimos dois anos houve aumento no número de novos casos de sífilis no estado. De acordo com o levantamento feito pela SES-MG, em 2022, por exemplo, a incidência da sífilis adquirida foi de 99,6 casos por 100 mil mineiros. No caso da sífilis em gestantes, a incidência foi de 27,3 casos por mil nascidos vivos. Na sífilis congênita, são 9,5 casos por mil nascidos vivos.

Em Minas Gerais, em 2023, foram notificados, de janeiro a setembro, 17.168 casos de sífilis adquirida, 4.328 de sífilis em gestante e 1.545 de sífilis congênita. Em 2022, foram 21.413 de sífilis adquirida, 6.413 de sífilis em gestante e 2.233 de sífilis congênita, números acima dos observados em 2021, respectivamente, 16.192, 5.648 e 2.143.

A sífilis adquirida é transmitida de uma pessoa para a outra durante o ato sexual (anal, vaginal ou oral) sem preservativo, ou por transfusão de sangue. Na sífilis congênita, a mãe infectada transmite a doença para a criança durante a gestação ou no parto. Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior.

A referência técnica de sífilis da Coordenação Estadual de IST/Aids e Hepatites Virais da SES-MG, Talane Alcântara, ressalta que o aumento no número de casos pode ser explicado tanto pela ampliação de acesso ao teste rápido, quanto à redução do uso de preservativos pela população. “A sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis podem ser prevenidas por meio do preservativo, mas é importante lembrar que o agravo também pode ser transmitido de forma vertical, da gestante para a criança. O diagnóstico é feito de forma simples e gratuita e o usuário deve buscar o resultado, sendo sintomático ou não. Caso sejam observados sintomas, o tratamento é oferecido na própria unidade de saúde”, pontua.

Sintomas

A sífilis é classificada em fases, que vão orientar o profissional em relação a conduta que deve ser adotada.

Sífilis latente: período em que não se observa nenhum sinal ou sintoma. O diagnóstico faz-se exclusivamente pela reatividade dos testes de diagnóstico. A maioria dos diagnósticos ocorre nesse estágio.

Fase primária: período de incubação de 10 a 90 dias. Ocorre o aparecimento de uma lesão única, na vulva, ânus, pênis ou mucosa oral, sendo denominada “cancro duro”. É indolor, não provoca coceira e desaparece de forma espontânea, independente de tratamento. Pode não ser notada ou não ser valorizada pelo paciente.

Fase secundária: seis semanas até seis meses após a cicatrização do cancro. Nessa fase, são comuns as placas ou lesões acinzentadas e pouco visíveis nas mucosas. Habitualmente, acometem a região plantar e palmar, com um colarinho de escamação característico, em geral não provoca coceira. A sintomatologia desaparece em algumas semanas, independentemente de tratamento, trazendo a falsa impressão de cura.

Sífilis terciária: entre um e quarenta anos após o início da infecção. A inflamação causada pela sífilis nesse estágio provoca destruição do tecido, sendo comum o acometimento dos sistemas nervoso e cardiovascular. As lesões podem causar desfiguração, incapacidade e até a morte.

Diagnóstico e tratamento

Qualquer cidadão que observar os sintomas pode procurar uma Unidade Básica de Saúde e realizar o teste rápido, ofertado pelo SUS. Esse teste é realizado pelo profissional de saúde, que tira apenas uma gota de sangue da ponta do dedo do paciente para análise do material. Caso o usuário não apresente sintomas, é realizado um segundo teste, para confirmação do diagnóstico. Se gestante, um teste positivo é suficiente para início do tratamento.

O SUS disponibiliza a benzilpenicilina benzatina como tratamento de escolha, sendo o mais eficaz para a infecção, sobretudo para as gestantes. Para a população não gestante, há outros medicamentos que podem ser usados para esse tratamento, de acordo com a avaliação médica.

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