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Com política de contingenciamento, Prefeitura de Itabira poderá reduzir investimentos para o Festival de Inverno

Vanessa Faria

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

A política de redução de gastos na Prefeitura de Itabira poderá causar impacto nos investimentos previstos para a 51º edição do Festival de Inverno. A informação foi dada pela superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), Vanessa de Faria, após sua prestação de contas na Câmara, realizada na tarde desta segunda-feira (19).

Vanessa foi questionada pela imprensa sobre quais ações têm sido implementadas pela gestão da FCCDA após o contingenciamento determinado em todas as secretarias pelo governo Marco Antônio Lage (PSB), diante da possibilidade de queda na arrecadação municipal em 2025. Segundo a superintendente, além de buscar reduzir custos e criar parcerias com o empresariado para a realização dos eventos, ela tem se reunido com o prefeito para “apresentar possibilidades” de otimização das receitas previstas para o Festival de Inverno – que em 2025 celebra os 40 anos da Fundação Cultural. 

“A gente ainda está em fase de sentar com o prefeito. Cada secretaria apresentou sua proposição, o prefeito está analisando o que precisa, onde precisa e como precisa ser feito. Acredito que ao longo desta semana a gente vai ter aí esses retornos também. Fizemos algumas proposições de algumas reduções”, disse Vanessa, sem citar qual seria o impacto direto na verba prevista para o Festival de Inverno, mas explicando que a intenção é fazer uma melhor “gestão orçamentária e financeira” sem que haja perda na “qualidade da entrega”. 

“A gente fez um estudo junto com o setor administrativo financeiro e o departamento de produção da Fundação. Temos feito estudos e encontros intensos nas últimas semanas, justamente para que a gente possa apresentar possibilidades e para que o prefeito possa dizer: “Olha, eu acho melhor, mais interessante assim ou assim”. Então nesse momento, infelizmente, eu não posso dizer, não tenho algo ainda concreto para anunciar para vocês”, complementou. 

“Os cortes não estão sendo feitos aleatoriamente, estão sendo estudados desde o começo do ano. A gente conseguiu fazer essa eficiência nesses dois eventos [Carnaval e Festa do Museu do Tropeiro] que a gente já fez”. Foto: Guilherme Guerra/DeFato

A política de austeridade itabirana é influenciada pelas mudanças na política econômica dos Estados Unidos, que recentemente adotou novas tarifas de importação sobre o aço e o alumínio brasileiros, fixando uma taxação de 25% sobre tais produtos. Tal medida poderá impactar negativamente a economia nacional, especialmente no setor mineral, que representa o principal motor da economia drummondiana. Desta forma, a tendência é de que haja uma queda direta na arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), dois grandes mecanismos de arrecadação do município. A instabilidade econômica, inclusive, foi citada no projeto de lei 54/2025, que definiu o reajuste salarial dos servidores públicos municipais de Itabira em 4,77%; percentual abaixo do pleiteado pela classe. 

Entre as medidas de contenção já aplicadas pela gestão municipal, está a redução da frota de veículos de secretarias e um projeto de lei – que já tramita na Câmara – que busca cortar o benefício do cartão alimentação para cargos comissionados. No fim de abril, o secretário de Administração e Governança, Paulo Henrique Gomes, explicou que a “otimização de despesas” se dá pelo momento de instabilidade econômica mundial, que poderá gerar duros impactos em Itabira. “O cenário econômico mundial é de muita incerteza, de muita insegurança, nós teremos que ter muita prudência. Um espirro que se tem lá na China ou na economia americana, pode correr o risco de se transformar em uma pneumonia aqui no nosso município”, afirmou. 

A declaração do secretário foi dada durante sua prestação de contas na Câmara Municipal, no momento em que ele anunciava que a sua secretaria optou por reduzir em 25% o tamanho da frota de veículos alugados – além de outros gastos inferiores, como impressoras, xerox e afins. Segundo ele, cada secretaria deverá escolher quais serão as medidas de redução de gastos implementadas na pasta. Ainda segundo Paulo Henrique, o momento é de alerta, e desta forma, a secretaria de Planejamento e a secretaria de Fazenda estão fazendo estudos para elaboração de medidas de prudência para que Itabira “não entre em crise”. 

No último dia 8 de maio, a Prefeitura de Itabira realizou uma audiência pública para apresentação do Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. O encontro reuniu técnicos das secretarias do governo e representantes da população para discutir as metas e prioridades que vão nortear a elaboração do orçamento do próximo ano. A previsão inicial para o orçamento de 2025 era de R$1,311 bilhão, mas a tendência é de que esse valor não seja atingido.

Segundo o secretário municipal de Fazenda, Júlio César de Araújo, “Contador”, o cenário econômico nacional aponta para uma significativa queda na arrecadação de recursos em todas as esferas, tanto federal como estadual, e municipal. Essa tendência já vem sendo observada ao longo dos últimos anos e, para 2026, projeta-se uma redução de aproximadamente 30% nos repasses, especialmente na Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), uma das principais fontes de receita da cidade.

Júlio Contador pontuou que não há um corte propriamente dito, mas sim um ajuste daquilo que é previsto para ser recebido em 2026. “A gente nunca pode ter uma despesa superior à receita. Por isso, é necessário fazer esse ajuste orçamentário e financeiro”, afirmou. Ele explicou que o município já iniciou um processo de contingenciamento, prevendo o cenário de queda na arrecadação. “Não falamos em corte de gastos, mas sim em adequações necessárias à nova realidade de arrecadação”, completou.

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