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Doentes com sintomas de coronavírus relatam drama para conseguir testes: “Não tem ou está em falta”

testes coronavírus

Leonardo Augusto testou negativo para coronavírus - Foto: Paulo Henrique Dias

“Todas as vezes que eu tentei, eu busquei a rede pública, não tinha, estava em falta. Quando eu precisei, eu não consegui. E eu tentei até particular, no começo até tinha, mas estavam pedindo um valor muito alto por exame. Eu achei de R$ 350,00, mas, quando liguei de novo, já tinha esgotado.”

O relato acima é do autônomo Hugo Esteves, 33 anos. Diagnosticado com pneumonia forte, o rapaz está com o pedido em mãos e vem tentando realizar o teste para coronavírus em Belo Horizonte desde a terça-feira passada (24). Procurou nas redes pública e particular, mas, simplesmente não achou. 

O problema é recorrente em todo estado de Minas Gerais e foi reconhecido, inclusive, pelo governador Romeu Zema (Novo), em entrevista nessa segunda-feira (30). Ele disse que espera dobrar a capacidade de testagem da rede pública até esta quarta (1/04), com ajuda de kits adquiridos pela mineradora Vale na China, e melhorar a resposta do Estado aos seus cidadãos. 

Hugo é um dos milhares de mineiros que esperam pelo cumprimento da promessa do governador. Com indícios de que pode estar infectado pela Covid-19, ele segue em isolamento a base de antibióticos, receitados pelo seu médico. Além da pneumonia, foram apresentados sintomas como: tosse, febre e cansaço. Com retorno marcado médico marcado para a próxima terça-feira (7), o rapaz vai tentar fazer o exame pela rede pública de saúde durante esta semana. 

“As pessoas que precisam fazer o exame, acabam deixando de fazer porque não conseguem na rede pública ou porque não têm condições de pagar. A pessoa pagar um valor alto no exame é complicado”, lamenta o autônomo. 

Demora nos resultados

Se há dificuldades para se conseguir testes em Minas Gerais, há também muita demora na obtenção de resultados. Toda a demanda do Estado tem recaído sobre a Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório credenciado para certificar a presença do coronavírus em pacientes da rede pública. O resultado disso é uma grande lista de casos suspeitos em todas as cidades, com baixa taxa de conclusão. 

Funcionário de uma companhia aérea de Belo Horizonte, Leonardo Augusto, 27, havia passado por alguns lugares com altos índices de infectados pelo vírus. Ao retornar de uma de suas viagens, apresentou, no último dia 16, sintomas da Covid-19, como: dificuldade respiratória, coriza e outros sinais. Preocupado, procurou um hospital da rede particular para realizar o exame que pudesse atestar se estava com o vírus ou não. 

Ao relatar no hospital sobre o seu histórico de viagens, Leonardo logo foi encaminhado para uma sala de quarentena, onde havia outras cinco pessoas isoladas. Colheu os materiais para o exame e recebeu uma carta do SUS, com instruções da médica de plantão para permanecer em isolamento por sete dias, aguardando o resultado que demoraria em média cinco dias para ficar pronto.

Acontece que o resultado do exame, que deveria ter saído entre os dias 26 e 27 de março, não foi entregue na data. “Quando eu ligava para o número que a médica tinha me passado, me falavam que quem estava cuidando disso era a epidemiologia de Belo Horizonte. Então, apesar de ter colhido na rede particular, eu não tinha como acessar pelo plano. Eu tinha que telefonar para o SUS, telefonar para um milhão de lugares e nenhum deles tinha respostas ainda”, relata Leonardo. 

“Foram cinco a seis dias ligando para vários telefones, até que me passaram um e-mail da Prefeitura de BH, do setor de Epidemiologia. Eu encaminhei o e-mail com meu RG e nessa segunda-feira eu recebi o meu resultado de exame, após mais de duas semanas de espera”, conta Leonardo, que testou negativo para coronavírus. 

O e-mail que Leonardo recorreu para conseguir ter acesso ao exame foi gaerel@pbh.gov.br. A reportagem de DeFato Online encaminhou mensagem para o setor responsável para saber sobre a situação de caos dos exames, mas, até a publicação desta matéria, não obteve respostas.

Sobrecarga

Segundo Zema, a Funed, que, até o início desta semana, realizava cerca de 200 testes por dia do coronavírus, passará a realizar 400 exames. Ainda segundo o governador, é esperado que até sexta-feira sejam realizados até 1.800 testes diários no Estado. Zema destacou ainda a importância da parceria com laboratórios privados para que a capacidade técnica do Estado possa aumentar neste período de pandemia.

Governador Romeu Zema – Foto: Renato Cobucci/Imprensa MG

Até essa segunda-feira (30), o governo de Minas havia realizado 2,4 mil testes em pacientes que apresentavam sintomas do vírus. O Estado tem 34.224 notificações de casos suspeitos.

Para o médico Diogo Umann, responsável pelos testes da Covid-19 em uma clínica na capital mineira, o reforço nas testagens é importante para toda área da Saúde. “Ainda mais para os setores públicos, que têm uma dificuldade real de fazer este diagnóstico. Esses testes rápidos ajudam muito nesse sentido”, comentou.

Questionado sobre os tipos de testes disponíveis no mercado, o profissional destaca que o mais assertivo continua sendo o RT-PCR. “Este teste é utilizado na biologia molecular, por meio de uma amostra da secreção nasal e da garganta do paciente. Aí, após coletado a amostra, esse material é levado até o laboratório e faz a pesquisa genética do Sars-cov-2. Demora um pouco mais, mas é muito eficaz. É muito mais assertivo do que o teste rápido. Porém, o teste rápido pode ser realizado em tempo recorde, de 10 a 30 minutos. Isso favorece muito a questão da velocidade. Apesar de ser ágil, porém, ele não é tão confiável quanto o RT-PCR”, aponta.

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