As eleições são em outubro de 2020, mas em João Monlevade a política é destaque não apenas em ano eleitoral. Exemplo disso são os trâmites referentes ao projeto que tramita na Câmara de Vereadores e que concede isenção a quem consumir a taxa mínima de água. A proposta já foi alvo de pareceres jurídicos pela inconstitucionalidade do projeto, até mesmo da Comissão de Legislação e Justiça. Contudo, os vereadores, que em sua maioria são da base do Governo, derrubaram o parecer e o projeto voltou então a tramitar nas comissões permanentes da Câmara.
A novela ganha novo capítulo. É que apesar das comissões responsáveis em emitirem pareceres para que a proposta vá ao plenário estarem no prazo regimental, o governo tem pressa na votação. Tanto que mesmo com os vereadores em recesso parlamentar, os suplentes de dois tidos como oposição ao governo os substituíram junto às comissões permanentes para emitirem pareceres e levarem a proposta ao plenário.
Quem explica a situação em vídeo divulgado em rede social é o ex-prefeito e marido da atual prefeita, Carlos Moreira. Durante o vídeo, Moreira, que tem seus direitos políticos cassados, ataca os vereadores. Ele afirma, citando Guilherme Nasser (PSDB), Pastor Carlinhos (MDB) e Belmar Diniz (PT), que estes estão “atrasando os pareceres. Só enrola se quiser”, afirmou Moreira.
Confira:
Negociação com Djalma Bastos
Ainda mostrando forte poder político, Carlos Moreira afirmou que Simone Moreira pediu a ele que articulasse a aprovação do projeto com voto favorável do vereador Djalma Bastos (PSD), que sempre se posicionou contrário à isenção taxa mínima. Com o voto de Djalma, o governo teria 2/3 dos votos, ou seja, 10 votos favoráveis. Durante o vídeo, o ex-prefeito destacou que reuniu-se com o vereador e a prefeita em sua casa. Djalma então teria concordado em votar favorável, desde que apresentasse duas emendas de sua autoria.
Assim, o presidente da Câmara, Leles Pontes (Republicanos), convocou uma extraordinária para a tarde desta sexta (27). Estariam presentes, além do presidente, Cláudio Cebolinha e Lelê do Fraga (ambos do PTB), Revetrie Teixeira (MDB), Fábio da Prohetel (PP), Tonhão (PPS), Toninho Eletricista (PHS), Djalma Bastos, Vanderlei Miranda (PL) e o líder do governo, Sinval Dias (PSDB). Contudo, Djalma justificou ausência por outro compromisso. “Leles disse que não poderia contar com os vereadores da oposição, que são Guilherme, Belmar Diniz, Gentil Bicalho, Pastor Carlinhos e Thiago Titó, que segundo Leles Pontes não iriam comparecer. Então a reunião teve que ser cancelada”, justificou o ex-prefeito.
Ainda segundo Carlos, a prefeita pediu que ele dissesse em uma emissora de rádio e ainda, na rede social, que ela quer resolver a questão. “Aprova ou reprova (o projeto da isenção da taxa mínima), vai colocar em prática, não vai colocar em prática?”, questiona Moreira.

