As Forças de segurança do Haiti anunciaram, nesta quinta-feira (8), que prende seis suspeitos de assassinar, a tiros, o presidente do país, Jovenel Moise. O crime aconteceu na madrugada de quarta-feira (7) quando a residência oficial foi invadida. A agência Associated Press disse que duas pessoas com cidadania nos Estados Unidos estão entre os detidos. Um deles seria um ex-guarda-costas da embaixada canadense.
A polícia haitiana já havia divulgado, na noite de ontem (7), a prisão de dois mercenários e a morte de outros quatro que estariam envolvidos na execução de Moise. Além disso, também foram libertados três policiais que eram mantidos como reféns.
O ex-primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, divulgou nas redes sociais uma imagem de dois suspeitos presos. Não está claro se a foto é dos detidos de ontem ou de hoje. Mas, Lamonthe afirmou que eles são mercenários estrangeiros e “importantes testemunhas para determinar quem os pagou para matar nosso presidente”. Ele fez duas publicações em seu Twitter como pode ser visto abaixo.
I just received the Pictures of the FOREIGN MERCENARIES who took part in the assassination of The PRESIDENT OF HAITI in custody of the POLICE , important witnesses to determine who PAID them to Kill our President. @OneWorldCNN @CBSMiami pic.twitter.com/TgUX39n8Yq
— Laurent Lamothe (@LaurentLamothe) July 8, 2021
Ma question est simple ? Qui a payé ces mercenaires? Qui a commandité cette attaque contre le PRÉSIDENT D’HAÏTI ? pic.twitter.com/dMJEiiDfwq
— Laurent Lamothe (@LaurentLamothe) July 8, 2021
Presidente assassinado
Jovenel Moise foi morto a tiros em sua casa, na capital Porto Príncipe, na madrugada de quarta (7). A primeira-dama, Martine Moise, foi baleada, hospitalizada e depois transferida para os Estados Unidos, onde está internada em estado grave.
O Haiti vive uma grave crise política, econômica e social, com aumento da violência e da pobreza e o governo incapaz de combater a pandemia e de aplicar um programa de imunização contra a Covid-19. Além disso, Moise dissolveu o Parlamento e governava por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas.
Desde que assumiu o cargo, em 2017, Moise enfrentou protestos em massa contra seu governo. Primeiro houve alegações de corrupção e depois sua gestão da economia foi questionada após seu crescente controle do poder. Em fevereiro, autoridades do país disseram ter frustrado uma “tentativa de golpe” de Estado contra o presidente, que também seria alvo de um atentado malsucedido.
Premiê (e presidente) interino
Ainda nesta quinta (8), o primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, assumiu provisoriamente o comando do país. Concidentemente, foi ele quem anunciou o assassinato do presidente. Horas após o crime, Claude Joseph decretou estado de sítio em todo o país, sob a justificativa de reforçar o poder do Executivo e investigar a morte de Moise. “Esta morte não ficará impune”, declarou Joseph em discurso à nação.
A execução de Moise mudou o que havia sido planejado para o premiê. O seu substituto, o médico Ariel Henry, já havia sido anunciado, mas ainda não tinha tomado posse formalmente por decreto. Como a transmissão de cargo não ocorreu, Joseph segue como primeiro-ministro interino. E, agora, também como presidente interino.
Mas, Henry afirmou ao jornal haitiano “Le Nouvelliste” que não considera Joseph o primeiro-ministro legítimo. “Acho que precisamos conversar. Claude deveria permanecer no governo que eu teria”. Há uma outra questão de legitimidade que coloca a liderança do premiê em xeque: pela Constituição, Joseph não está na linha de sucessão para ocupar o cargo interinamente e porque, na prática, não há Parlamento.
Moise governava por decretos presidenciais desde janeiro de 2020 e, portanto, nenhuma decisão era ratificada pelo Legislativo. O próximo na linha sucessória, segundo a Constituição do Haiti, seria o presidente da Suprema Corte, René Sylvestre, mas ele morreu de Covid-19 no mês passado, e ainda não foi escolhido o seu substituto.

