Haiti: polícia prende seis suspeitos de matar o presidente

Um dos detidos seria cidadão norte-americano. Ex-premiê haitiano divulgou imagem do que ele diz serem mercenários estrangeiros detidos por matar Jovenel Moise

Haiti: polícia prende seis suspeitos de matar o presidente
Jovenel Moise (ao centro), caminha junto à primeira-dama, Martine Moise; e o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph (à direita), em 18 de maio de 2021. Foto: Joseph Odelyn / AP

As Forças de segurança do Haiti anunciaram, nesta quinta-feira (8), que prende seis suspeitos de assassinar, a tiros, o presidente do país, Jovenel Moise. O crime aconteceu na madrugada de quarta-feira (7) quando a residência oficial foi invadida. A agência Associated Press disse que duas pessoas com cidadania nos Estados Unidos estão entre os detidos. Um deles seria um ex-guarda-costas da embaixada canadense.

As autoridades disseram que a polícia e o exército cercaram o grupo e conseguiram prendê-los após intensa troca de tiros que terminou, ainda, com sete pessoas considerada suspeitas mortas. Centenas de moradores gritavam do lado de fora da delegacia para onde os suspeitos detidos foram levados, na capital Porto Príncipe. Eles chegara a atear fogo a um veículo que seria dos assassinos.

A polícia haitiana já havia divulgado, na noite de ontem (7), a prisão de dois mercenários e a morte de outros quatro que estariam envolvidos na execução de Moise. Além disso, também foram libertados três policiais que eram mantidos como reféns.

O ex-primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, divulgou nas redes sociais uma imagem de dois suspeitos presos. Não está claro se a foto é dos detidos de ontem ou de hoje. Mas, Lamonthe afirmou que eles são mercenários estrangeiros e “importantes testemunhas para determinar quem os pagou para matar nosso presidente”. Ele fez duas publicações em seu Twitter como pode ser visto abaixo.

Presidente assassinado

Jovenel Moise foi morto a tiros em sua casa, na capital Porto Príncipe, na madrugada de quarta (7). A primeira-dama, Martine Moise, foi baleada, hospitalizada e depois transferida para os Estados Unidos, onde está internada em estado grave.

O Haiti vive uma grave crise política, econômica e social, com aumento da violência e da pobreza e o governo incapaz de combater a pandemia e de aplicar um programa de imunização contra a Covid-19. Além disso, Moise dissolveu o Parlamento e governava por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas.

Desde que assumiu o cargo, em 2017, Moise enfrentou protestos em massa contra seu governo. Primeiro houve alegações de corrupção e depois sua gestão da economia foi questionada após seu crescente controle do poder. Em fevereiro, autoridades do país disseram ter frustrado uma “tentativa de golpe” de Estado contra o presidente, que também seria alvo de um atentado malsucedido.

Premiê (e presidente) interino

Ainda nesta quinta (8), o primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, assumiu provisoriamente o comando do país. Concidentemente, foi ele quem anunciou o assassinato do presidente. Horas após o crime, Claude Joseph decretou estado de sítio em todo o país, sob a justificativa de reforçar o poder do Executivo e investigar a morte de Moise. “Esta morte não ficará impune”, declarou Joseph em discurso à nação.

A execução de Moise mudou o que havia sido planejado para o premiê. O seu substituto, o médico Ariel Henry, já havia sido anunciado, mas ainda não tinha tomado posse formalmente por decreto. Como a transmissão de cargo não ocorreu, Joseph segue como primeiro-ministro interino. E, agora, também como presidente interino.

Mas, Henry afirmou ao jornal haitiano “Le Nouvelliste” que não considera Joseph o primeiro-ministro legítimo. “Acho que precisamos conversar. Claude deveria permanecer no governo que eu teria”. Há uma outra questão de legitimidade que coloca a liderança do premiê em xeque: pela Constituição, Joseph não está na linha de sucessão para ocupar o cargo interinamente e porque, na prática, não há Parlamento.

Moise governava por decretos presidenciais desde janeiro de 2020 e, portanto, nenhuma decisão era ratificada pelo Legislativo. O próximo na linha sucessória, segundo a Constituição do Haiti, seria o presidente da Suprema Corte, René Sylvestre, mas ele morreu de Covid-19 no mês passado, e ainda não foi escolhido o seu substituto.