Dados atualizados pela Vigilância em Saúde de Itabira na tarde de ontem (13), mostram que a cidade segue em situação de emergência devido ao aumento da infestação do mosquito da dengue no município. Já são 590 casos positivos de dengue e outras 70 ocorrências confirmadas de Chikungunya. No geral, já foram notificados 2361 possíveis casos de dengue na cidade, que ainda possui outros 649 casos em análise.
Até então, nenhum caso de zika vírus foi confirmado ou está em investigação. Os dados foram confirmados por Natália Franco Barbosa de Andrade, superintendente de Vigilância em Saúde. Natália afirma que em função da queda das temperaturas, foi observada uma ligeira queda de casos notificados e positivos para dengue. Além disso, ‘‘para Chikungunya, na última semana não tivemos nenhuma notificação, mas ainda não é o momento de baixar a guarda’’, reforça.
Entre os dias 15 e 19 de maio, Itabira realizou o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Os agentes vistoriaram 1.874 imóveis da área urbana, divididos em quatro estratos: ¾ dos bairros estão com risco de surto e ¼ com sinal de alerta. Mais de 83% dos focos se encontram nos domicílios e peridomicílios, podendo ser evitados por medidas de prevenção e extermínios dos chamados criadouros
43,1% dos focos foram encontrados em recipientes móveis (bebedouros e vasos de plantas), 22% em recipientes plásticos, latas e baldes e outros 14,7% estavam em canaletas e sanitários em desuso.
O Índice de Infestação Predial (IIP) é um indicativo para os municípios saberem qual a real situação de infestação nos bairros da cidade. O Ministério de Saúde classifica o índice de infestação predial como: inferior a 1% é considerado baixo risco (ideal), de 1 a 3,9% considerado médio risco e superior a 4% é considerado alto risco A média de Itabira foi de 5,2%, o que coloca o município em situação de alto risco para um surto de contaminação pelas arboviroses. Em abril de 2022, o LIRAa apresentou a média de 5,8.
Comparação
No ano passado foram registrados 198 casos de dengue em Itabira, além de um caso positivo para Chikungunya. Em 2021 foram 20 casos de dengue e um outro de Chikungunya. Mesmo com esses dados, a superintendente ressalta que em 2021 e 2022, o número reduzido de casos foi fruto da subnotificação, ‘‘pois com a preocupação com a pandemia, outras doenças acabaram sendo negligenciadas’’.
A superintendente reforça que a população faça a vistoria semanal de suas casas e quintais, além de receber o Agente de Combate às Endemias, funcionário preparado para orientar a população quanto aos possíveis criadouros: ‘‘Ele é o profissional que tem o “olhar técnico” para este fim e não vai até às residências para recolher lixo, o que ainda alguns munícipes pensa’’
‘‘Apesar de estarmos nos desdobrando para que os agentes de combate à endemias estejam cobrindo todas as residências e fazendo todas as orientações, percebemos que o vírus está circulando. É muito importante que a população tenha ciência disso e faça a revisão semanal’’
A importância de fazer o combate dentro de casa
Natália explica que a fêmea do Aedes precisa do sangue para maturar os seus ovos, fazendo a postura nas paredes dos recipientes. Esses ovos podem ficar em estado de dormência por um ano, mesmo sem o contato com a água. Em contato com a água, eles eclodem e começam o seu ciclo. ‘‘Por isso é importante eliminar qualquer recipiente que acumule água, como pratinhos de plantas, vasilhas de animais, garrafas e pneus’’, ressalta.
Caso os ovos se transformem em larvas, os ACE aplicam o larvicida. A superintendente explica que caso o ciclo não seja interrompido, as larvas viram pupas, onde não existe nenhum produto capaz de eliminá-las, onde se pode apenas realizar o descarte da água.
Sinais, sintomas e tratamento
Dor no corpo, cansaço, febre alta (> 38°), náusea, dor de cabeça, falta de apetite, indisposição, manchas vermelhas na pele, coceira. Esses são alguns dos sintomas de alguém que possa estar com Dengue. O período do ano com maior transmissão da doença ocorre nos meses mais chuvosos de cada região, geralmente de novembro a maio.
Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém as pessoas mais velhas e aquelas que possuem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, têm maior risco de evoluir para casos graves e outras complicações que podem levar à morte.
Ao apresentar os sintomas, é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados, todos oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
O tratamento para infecção pelo vírus dengue é baseado principalmente na reposição volêmica adequada, levando-se em consideração o estadiamento da doença (grupos A, B, C e D) segundo os sinais e sintomas apresentados pelo paciente, assim como no reconhecimento precoce dos sinais de alarme.
- Repouso relativo, enquanto durar a febre;
- Estímulo à ingestão de líquidos;
- Administração de paracetamol ou dipirona em caso de dor ou febre;
- Não administração de ácido acetilsalicílico;
- Recomendação ao paciente para que retorne imediatamente ao serviço de saúde, em caso de sinais de alarme.
Os pacientes que apresentam sinais de alarme ou quadros graves da doença requerem internação para o manejo clínico adequado. Ainda não existe tratamento específico para a doença.

