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Itabirana com fibromialgia relata drama durante análise de projeto na Câmara

fibromialgia

Luciana Madureira falou sobre as dificuldades em conviver com a fibromialgia. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

A análise do projeto de lei 92/2023 na reunião de comissões desta semana, na Câmara de Itabira, foi cercada de bastante comoção. Elaborada pelo vereador Robertinho da Autoescola (MDB), a proposta altera o artigo 3º da Lei 5.219, de 2020, e propõe que seja incluída a identificação de portadores de fibromialgia nas placas de atendimento prioritário em estabelecimentos públicos, privados e repartições públicas de Itabira.

De acordo com Robertinho, a medida dá mais “dignidade” aos itabiranos que possuem a síndrome. “A iniciativa desse projeto é, de certa forma, fazer a inclusão. Porque a fibromialgia é uma síndrome invisível, você não consegue detectá-la ou fazer o diagnóstico rápido a olho nu. E é uma síndrome que faz o portador sofrer muito com inchaço, indisposição, dor nas articulações e vários sintomas desagradáveis demais. Então a alteração dessa lei é justamente para melhorar um pouco mais as condições e dar mais dignidade às pessoas que possuem esta síndrome”.

Além de defender o projeto de lei, o vereador convidou a itabirana Luciana Madureira a discursar na Câmara. Convivendo com a fibromialgia há 12 anos, a mulher se emocionou ao relatar seu drama, marcado por diversas tentativas de tratamento, limitações na vida pessoal e a luta contra a depressão.

“Já vou fazer 40 anos e estou nessa luta. Já não trabalho mais, meu filho era criança e agora já é um adolescente de 14 anos. Perdi toda essa fase dele, não consegui acompanhar, ele não conseguiu ter essa fase da mãe levar aqui ou ali, levar no parquinho… ele não teve a mãe nesse tempo todo. E hoje já cheguei no tratamento do cannabis, faço bloqueio mensal venoso, que serve tanto para dor quanto para depressão. E a última tentativa agora é o cannabis para aliviar um pouco, porque já não tem mais sentido, não tem mais tratamento, a gente vive dopado. Já não consigo mais ter uma vida na parte da manhã, não tenho mais um emprego. Essa é a nossa luta”.

Luciana também falou sobre o preconceito sentido pelos portadores da síndrome ao recorrerem ao atendimento preferencial. Segundo ela, muitos os enxergam como “aproveitadores”.

“Muita gente acha que se estamos na fila preferencial é porque estamos nos aproveitando da situação, e não é. Muitas vezes a gente está numa vaga preferencial, como no Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), se não achamos vaga lá em cima, enfrentamos aquele morro todinho. Já chegamos com as pernas trêmulas e o coração muito acelerado porque a fadiga já tomou conta. E é isso que a gente passa todos os dias”.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada, principalmente, por dor crônica e generalizada no corpo que dura pelo menos três meses. Esses desconfortos podem surgir sem motivo aparente, ou serem uma reação exagerada a algum acontecimento. Entre os principais sintomas, estão fadiga, alteração do sono e depressão ou ansiedade.

Para ler o projeto de lei, na íntegra, clique aqui.

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