Itabirana com fibromialgia relata drama durante análise de projeto na Câmara
Projeto de Lei feito por Robertinho da Autoescola sugere que portadores da síndrome também sejam identificados em placas de atendimento prioritário
A análise do projeto de lei 92/2023 na reunião de comissões desta semana, na Câmara de Itabira, foi cercada de bastante comoção. Elaborada pelo vereador Robertinho da Autoescola (MDB), a proposta altera o artigo 3º da Lei 5.219, de 2020, e propõe que seja incluída a identificação de portadores de fibromialgia nas placas de atendimento prioritário em estabelecimentos públicos, privados e repartições públicas de Itabira.
De acordo com Robertinho, a medida dá mais “dignidade” aos itabiranos que possuem a síndrome. “A iniciativa desse projeto é, de certa forma, fazer a inclusão. Porque a fibromialgia é uma síndrome invisível, você não consegue detectá-la ou fazer o diagnóstico rápido a olho nu. E é uma síndrome que faz o portador sofrer muito com inchaço, indisposição, dor nas articulações e vários sintomas desagradáveis demais. Então a alteração dessa lei é justamente para melhorar um pouco mais as condições e dar mais dignidade às pessoas que possuem esta síndrome”.
Além de defender o projeto de lei, o vereador convidou a itabirana Luciana Madureira a discursar na Câmara. Convivendo com a fibromialgia há 12 anos, a mulher se emocionou ao relatar seu drama, marcado por diversas tentativas de tratamento, limitações na vida pessoal e a luta contra a depressão.
“Já vou fazer 40 anos e estou nessa luta. Já não trabalho mais, meu filho era criança e agora já é um adolescente de 14 anos. Perdi toda essa fase dele, não consegui acompanhar, ele não conseguiu ter essa fase da mãe levar aqui ou ali, levar no parquinho… ele não teve a mãe nesse tempo todo. E hoje já cheguei no tratamento do cannabis, faço bloqueio mensal venoso, que serve tanto para dor quanto para depressão. E a última tentativa agora é o cannabis para aliviar um pouco, porque já não tem mais sentido, não tem mais tratamento, a gente vive dopado. Já não consigo mais ter uma vida na parte da manhã, não tenho mais um emprego. Essa é a nossa luta”.
Luciana também falou sobre o preconceito sentido pelos portadores da síndrome ao recorrerem ao atendimento preferencial. Segundo ela, muitos os enxergam como “aproveitadores”.
“Muita gente acha que se estamos na fila preferencial é porque estamos nos aproveitando da situação, e não é. Muitas vezes a gente está numa vaga preferencial, como no Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), se não achamos vaga lá em cima, enfrentamos aquele morro todinho. Já chegamos com as pernas trêmulas e o coração muito acelerado porque a fadiga já tomou conta. E é isso que a gente passa todos os dias”.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada, principalmente, por dor crônica e generalizada no corpo que dura pelo menos três meses. Esses desconfortos podem surgir sem motivo aparente, ou serem uma reação exagerada a algum acontecimento. Entre os principais sintomas, estão fadiga, alteração do sono e depressão ou ansiedade.
Para ler o projeto de lei, na íntegra, clique aqui.




