O laudo emitido pela perícia da Polícia Civil de Minas Gerais que aponta a presença da substância dietilenoglicol na cerveja Belorizontina, da Backer, deixou em alerta os comerciantes itabiranos. Substância identificada em exames preliminares estaria relacionada ao surgimento de oito casos de intoxicação em Belo Horizonte e uma morte em Juiz de Fora. O caso é tratado como uma doença misteriosa.
Sócio da rede de supermercados Nova Europa, Deivison Torres Lage, contou a DeFato Online que verificou o estoque da cerveja no empreendimento após a divulgação da notícia. Segundo ele, os lotes comprados pelo Nova Europa não são compatíveis com os periciados pela Polícia Civil (lotes L1 1348 e L2 1348). Entendendo que houve desvalorização, a rede de supermercados reduziu o preço do produto. “Colocamos à venda abaixo do preço de custo”, comentou Deivison Lage.
Na Padaria Família Pires, inicialmente, todas as garrafas de Belorizontina foram retiradas de venda diante da possibilidade de intoxicação após o consumo da cerveja, como uma medida preventiva. De acordo com o sócio do empreendimento, Lucas Pires, o estoque foi conferido e posto de novo nas prateleiras uma vez que são diferentes dos periciados.
“Após o comunicado divulgado pela Polícia Civil sobre a cerveja Belorizontina, vale ressaltar que os lotes vendidos pela Padaria Família Pires não fazem parte daqueles que foram retirados de circulação (L1 1348 e L2 1348). As vendidas por nós são os lotes L1 1376, L2 1440 e L2 614”, informou em nota divulgada nas redes sociais.
Evandro Lazzarin, gerente geral da rede de supermercados JL, disse que todo o estoque da cerveja foi vendido no fim de ano. E que, diante da suspeita que a cerveja supostamente teria causado uma doença misteriosa, não vai repor o estoque, até que termine as investigações.
Diante da suspeita dos casos de intoxicação envolvendo a cerveja Belorizontina, o Mart Minas recolheu o produto que estava disponível para compra em oito dentre as 37 filiais. No supermercado de Itabira, segundo a empresa, não havia os lotes “contaminados”. Apesar disso, todas as cervejas da marca que estavam à venda foram retiradas das prateleiras.
“Mesmo dispondo dos lotes L2614, L21004, L21012 e L2671, estes que não foram citados como “contaminados” pela substância dietilenoglicol, foi decidido a retirada dos produtos das unidades de Juiz de Fora, Uberlândia, Uberaba, Pará de Minas, Itaúna, Conselheiro Lafaiete, Varginha e Itabira, lojas que são as únicas da rede onde a referida cerveja estava sendo comercializada”, informou o Mart Minas.
Entenda
A substância identificada em exames preliminares de dois lotes da cerveja Belorizontina, dietilenoglicol, pode provocar intoxicação como insuficiência renal e problemas neurológicos, características atribuídas aos pacientes, segundo o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS-MINAS). Os oito casos suspeitos apresentavam os mesmos sintomas: náuseas, dor abdominal, insuficiência renal aguda grave com evolução em 72h, alterações neurológicas como paralisia facial e borramento visual. Um homem, que estava internado em Juiz de Fora, morreu.
Posicionamento
Após laudo divulgado pela Polícia Civil, a Backer emitiu um comunicado afirmando que o dietilenoglicol, encontrado nas duas amostras da cerveja Belorizontina, não faz parte do processo de produção da cervejaria. Contudo, por precaução, a Backer informou que os lotes em questão L1 1348 e L2 1348, citados pela polícia e recolhido na casa dos consumidores, serão retirados imediatamente de circulação, caso ainda haja algum remanescente no mercado. Além disso, a cervejaria disse estar à disposição das autoridades para auxiliar no que for necessário até a conclusão das investigações.
