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Mais uma vítima do câncer: morre prefeito de São Paulo, Bruno Covas

Mais uma vítima do câncer: morre prefeito de São Paulo, Bruno Covas

Foto: Fábio Vieira / Metrópoles

Morre o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), aos 41 anos. A informação foi confirmada por nota oficial da prefeitura da capital paulista, na manhã desse domingo (16).  Desde 2019, ele lutava contra um câncer no sistema digestivo com metástase nos ossos e no fígado.

Bruno Covas estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 2 de maio, quando se licenciou da prefeitura de São Paulo. Na sexta-feira (14), ele teve uma piora no quadro de saúde e a equipe médica informou que seu quadro havia se tornado irreversível.

Nas últimas horas de vida, o prefeito recebeu sedativos e analgésicos para não sentir dores. Familiares e amigos de Covas permaneceram no hospital. Ainda na noite de sexta (14), um padre chegou a fazer a unção dos enfermos, um sacramento católico.

Durante a noite de sábado (15), representantes de diversas religiões participaram do ato ecumênico na porta do hospital, que durou 30 minutos e terminou com a oração Pai Nosso. Bruno Covas deixa o filho Tomás, de 15 anos.

O corpo será levado para o Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, onde, às 13h, haverá uma cerimônia breve para familiares e amigos próximos. Depois, seguirá em carro aberto em um cortejo até a Praça Oswaldo Cruz. O enterro será em Santos, em cerimônia restrita à família.

Carreira em ascensão

Nascido em Santos, no litoral paulista, Bruno Covas era filho de Pedro Lopes, engenheiro da Autoridade Portuária de Santos, e Renata Covas, a única filha mulher de Mário Covas. Ele era, reconhecidamente, o neto favorito do adorado político paulista. Seu avô foi prefeito da capital na década de 1980 e governador do estado entre 1995 e 2001.

Muito cedo Bruno Covas começou a seguir os passos do avô. Aos 9 anos, integrou o “Clube dos Tucaninhos”, cuja carteirinha de filiação ele guardava com orgulho. Aos 14 anos, foi morar com o avô, no Palácio dos Bandeirantes, sede oficial do governo paulista.

O neto preferido de Mário Covas fez graduação em direito pela Universidade de São Paulo (USP) e economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ele entrou de vez para a política em 2004, quando se candidatou a vice-prefeito de Santos.

Foi casado com a economista Karen Ichiba por 10 anos e, com ela, teve Tomás, hoje com 15 anos. O filho, assim como Bruno Covas, já dava sinais de seguir o legado da família. Ele chegou a acompanhar o pai em eventos públicos vestindo a camisa dos “Tucanáticos”, o grupo de jovens do PSDB. O rapaz morava com Bruno em um apartamento na Barra Funda, Zona Oeste da capital, em esquema de guarda compartilhada.

Bruno Covas foi eleito deputado estadual, aos 26 anos; e reeleito aos 30, com o maior número de votos do estado. Depois, se tornou secretário Estadual do Meio Ambiente na gestão Geraldo Alckmin (PSDB), e, em 2014, deputado federal.

Em 2016, se candidatou a vice-prefeito na chapa de João Doria (PSDB). A dupla venceu no primeiro turno. Em 2018, assumiu a Prefeitura de São Paulo, quando Doria deixou o cargo para se candidatar a governador do estado.

Descoberta da doença

Em 2019, Bruno Covas descobriu uma infecção na pele. Uma semana depois, foi internado com trombose venosa profunda (coágulos) na perna direita. Os coágulos subiram para o pulmão, causando embolia. Foi durante os exames para localizar os coágulos que médicos detectaram o câncer. O nódulo estava na cárdia, região entre o esôfago e o estômago, com metástase no fígado e nos linfonodos.

O prefeito de São Paulo iniciou o tratamento contra o câncer sem deixar o cargo de prefeito e despachando por meio de assinaturas digitais. Em dezembro de 2019, a equipe médica disse que o tumor regredira de modo expressivo. Em janeiro de 2020, ainda em tratamento, ele anunciou a candidatura à reeleição.

Em fevereiro do mesmo ano, os tumores do fígado e da região da cárdia não apareceram nos exames. Já os linfonodos, que são gânglios, apresentaram aumento, indicando que o câncer persistia. Começou uma nova fase no tratamento, com a imunoterapia.

Em julho, Covas informou que o tumor estava regredindo e passou a se concentrar na campanha eleitoral. Mesmo em tratamento, fez muitas agendas externas. Assim, o tucano foi para o segundo turno com Guilherme Boulos (PSOL). Ele venceu em todas as 58 zonas eleitorais da capital, incluindo a periferia.

Depois da campanha, Bruno Covas fez exames em dezembro de 2020, e a equipe médica informou que o prefeito daria continuidade ao tratamento contra o câncer com imunoterapia e radioterapia, sem restrições à rotina de trabalho.

Antes de completar oficialmente um mês como prefeito reeleito, ele pediu licença de 10 dias no trabalho para “para repouso e cuidados pessoais”. Ele vinha de uma maratona de 24 sessões de radioterapia, diariamente. Em fevereiro desse ano, exames mostraram sucesso da radioterapia no controle dos linfonodos, mas foi detectado um novo nódulo no fígado. Bruno Covas reiniciou a quimioterapia.

Batalha árdua

Em abril de 2021, Covas foi internado depois que os médicos encontraram novos pontos de câncer nos ossos e no fígado. Dias mais tarde, ele apresentou uma piora no quadro de saúde, quando foi diagnosticado com líquido nos pulmões e no abdômen devido a uma inflamação no tumor do fígado.

Transmitindo coragem e confiança no tratamento, ele postou uma foto do filho nas redes sociais, e disse que continuava a luta pela vida com “vontade gigante de vencer”. Bruno Covas recebeu alta ainda em abril, mas, no dia 2 de maio, se afastou do cargo devido aos efeitos colaterais do tratamento.

No dia seguinte, ele foi transferido para a UTI do hospital Sírio-Libanês e intubado após a descoberta de um sangramento no estômago. Os médicos identificaram uma úlcera junto ao tumor original, na cárdia. As sessões de quimioterapia foram suspensas.

Durante todo o tratamento, o prefeito se mostrou otimista. “Não tenha dúvidas de que vou vencer mais este desafio, mesmo sabendo que a guerra está longe de terminar”.

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