Médico é preso acusado de matar pacientes com Covid-19
Tatiana Linhares
Médico Carlo Angelo Mosca alega ser inocente. Foto: Reprodução / Facebook
Na última segunda-feira (25), o médico italiano Carlo Angelo Mosca, de 47 anos, foi preso suspeito de matar intencionalmente ao menos dois pacientes com Covid-19. Segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de São Paulo, ele aplicava doses mortais do anestésico propofol e succinilcolina, um bloqueador neuromuscular, em pessoas internadas com sintomas graves da doença.
O caso aconteceu no hospital de Montichari, na província de Brescia, Itália, no início da pandemia, em 2020. Na última sexta (29), ele foi interrogado. Durante as duas horas e meia, ininterruptas de interrogatório no Tribunal de Bréscia, Carlo Angelo Mosca negou as acusações e disse ser inocente.
A juíza Angela Corvi, que acompanha o caso e conduziu o interrogatório, disse que as investigações demonstram graves indícios de homicídio doloso qualificado. Ainda de acordo com as investigações, Natale Bassi, 61 anos, e Angelo Paletti, 79 anos, teriam sido as vítimas.
Consta no inquérito que as mortes deles foram causadas pelas doses fatais, aplicadas pelo médico, entre 20 e 22 de março, quando a primeira onda da pandemia do novo coronavírus teve grande impacto na comunidade italiana. A motivação de Carlo Angelo Mosca seria a urgência em liberar leitos para novos pacientes.
As denúncias que levaram às investigações foram feitas por enfermeiros e operadores sanitários. Em seus depoimentos, eles contam que o médico administrava os medicamentos nos pacientes graves, quando estava sozinho. Há ainda provas de que, no caso do paciente Bassi, ele teria pedido que equipe se retirasse da sala de emergência.
“Poucos minutos depois, a funcionária voltou, percebendo a morte de Bassi, naquele momento desacompanhado de membros da equipe. O óbito foi declarado pela doutora [nome omitido], que indicou no prontuário ‘repentina parada cardio-circulatória”, diz o documento assinado pela juíza, com base na investigação.
Já no caso de Angelo Paletti, foram encontradas embalagens vazias dos medicamentos na manhã seguinte à morte do paciente, ocorrida durante o plantão do médico suspeito. Em nota, a administração do hospital classificou as acusações como graves e disse que está colaborando com as autoridades.