A indústria da mineração brasileira fechou 2025 com crescimento expressivo no faturamento, avanço nas exportações e aumento do ciclo de investimentos. O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) apresentou os dados nesta terça-feira (3), durante entrevista coletiva online à imprensa.
Em 2025, o setor faturou R$ 298,8 bilhões, alta de 10,3% em relação a 2024. O minério de ferro respondeu por 52,6% do total, com R$ 157,2 bilhões. Ainda assim, o faturamento da substância caiu 2,2%, pressionado pela retração dos preços internacionais.
Além disso, Minas Gerais, Pará e Bahia lideraram o faturamento nacional. Os estados concentraram 39,9%, 34,5% e 4,5% do total, respectivamente. Esses números confirmam a forte concentração regional da atividade mineral no país.
Durante a coletiva, o vice-presidente do IBRAM, Fernando Azevedo, destacou o peso do cenário internacional sobre o setor.
“O mundo vive uma disputa geopolítica por minerais. A transição energética, a tecnologia e a soberania industrial puxam essa demanda. Nesse contexto, o Brasil ocupa posição estratégica”, afirmou.
Mineração sustenta mais da metade do saldo comercial brasileiro
No comércio exterior, a mineração exportou 431 milhões de toneladas em 2025. O volume cresceu 7,1% em relação ao ano anterior. As receitas somaram cerca de US$ 46 bilhões, alta de 6,2% em dólares.
O minério de ferro respondeu por 62,8% das exportações. Em seguida, apareceram ouro, cobre e manganês. A China permaneceu como principal destino, concentrando 69,2% das exportações em toneladas.
Como resultado, o saldo da balança comercial mineral atingiu US$ 37,6 bilhões. O valor corresponde a 55% do saldo total da balança comercial brasileira, que fechou 2025 em US$ 68,3 bilhões. Em 2024, essa participação era de 47%.
“Hoje, mais da metade do saldo comercial do Brasil vem da mineração. Isso mostra o peso estratégico do setor para a economia nacional”, reforçou Azevedo.
Importações expõem dependência do agro por insumos minerais
Por outro lado, as importações minerais somaram US$ 8,5 bilhões em 2025. O valor ficou praticamente estável, com alta de 0,1%, enquanto o volume caiu 1,3%, totalizando 40,8 milhões de toneladas.
No entanto, alguns produtos registraram forte alta de preços. O enxofre teve aumento de 134,1% em dólares. O potássio subiu 11,8%. Ambos são essenciais para a produção de fertilizantes.
Segundo o IBRAM, a combinação entre restrição de oferta global e demanda elevada, especialmente de China e Índia, pressionou os preços.
“O mercado internacional de enxofre ficou extremamente aquecido. A demanda superou a oferta, e os preços dispararam”, explicou Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários do instituto.
Empregos e arrecadação avançam, mas reforçam dependência territorial
Enquanto isso, o setor mineral manteve crescimento no mercado de trabalho. Em novembro de 2025, a mineração registrou 229.312 empregos diretos, excluindo petróleo e gás. Entre janeiro e novembro, o setor criou 8.330 novas vagas formais.
Além disso, a arrecadação total de tributos e encargos alcançou R$ 103 bilhões, alta de cerca de 10%. A CFEM somou R$ 7,9 bilhões. Minas Gerais respondeu por 45% da arrecadação, enquanto o Pará concentrou 39%.
Ao todo, 2.760 municípios brasileiros recolheram CFEM em 2025. O número representa aproximadamente 50% dos municípios do país, o que reforça o impacto direto da mineração sobre os territórios.
Investimentos crescem e foco recai sobre minerais críticos
Para os próximos anos, o setor projeta novos aportes. A estimativa de investimentos entre 2026 e 2030 chega a US$ 76,9 bilhões, valor 12,5% superior ao ciclo anterior.
Desse total, US$ 21,3 bilhões devem ir para minerais críticos e estratégicos, como grafita, nióbio, cobre, níquel, terras raras, lítio e vanádio. O crescimento previsto é de 15,2%.
Segundo o IBRAM, esses minerais sustentam cadeias ligadas à energia limpa, veículos elétricos, defesa e tecnologia avançada.
“Tudo o que envolve energia e tecnologia depende de minerais. Eles estão no centro das decisões estratégicas globais”, afirmou Fernando Azevedo.
Exaustão mineral e pós-mineração: pergunta do DeFato Online
Nesse contexto, o portal DeFato Online, por meio da jornalista Edna Coelho, questionou o IBRAM sobre a exaustão mineral e o futuro de municípios dependentes da atividade, como Itabira, em Minas Gerais.
“Quais estratégias o setor adota para amparar municípios como Itabira durante a transição e no período pós-mineração?”, perguntou Edna Coelho.
Em resposta, Fernando Azevedo afirmou que a exaustão mineral faz parte do ciclo técnico da mineração. Por isso, segundo ele, o tema exige planejamento antecipado.
“A exaustão mineral é previsível. Ela precisa ser tratada com planejamento, diversificação econômica e uso estratégico da riqueza gerada”, disse.
Além disso, ele defendeu que os municípios aproveitem o ciclo mineral para estruturar novas vocações.
“A mineração não pode ser analisada apenas pelo período de extração. O legado econômico e social precisa orientar as decisões locais”, completou.
Extravasamentos em Minas e segurança das estruturas
Em outro momento da coletiva, jornalistas questionaram o IBRAM sobre os extravasamentos registrados em Congonhas e Ouro Preto, envolvendo estruturas da Vale.
O instituto afirmou que não comenta casos específicos de empresas associadas. Ainda assim, destacou que o Brasil está há seis anos sem acidentes com barragens de rejeitos de grande porte.
“Esses episódios ocorreram em estruturas menores. Isso não reduz a gravidade, mas as grandes barragens seguem sob rígido controle”, afirmou Azevedo.
Julio Nery acrescentou que a legislação brasileira figura entre as mais avançadas do mundo.
“As barragens hoje consideram eventos climáticos extremos. O monitoramento é contínuo, e os critérios de segurança são rigorosos”, afirmou.
Segurança jurídica e ciclo do minério marcam agenda de 2026
Por fim, o IBRAM destacou que a segurança jurídica seguirá como prioridade em 2026. O instituto completa 50 anos e acompanha a tramitação do PL 2.780, que trata dos minerais críticos e estratégicos.
Para Fernando Azevedo, o país vive um momento decisivo.
“O Brasil já teve o ciclo do café, da borracha e do petróleo. Agora, vivemos o ciclo do minério. O desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento duradouro”, concluiu.

