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Motociclistas representam sete em cada dez vítimas de trânsito atendidas no João XXIII em 2026

Motoqueiros representam sete em cada dez vítimas de trânsito atendidas no João XXIII em 2026

Foto: Reprodução/Fabio Marchetto/SES-MG

Os motociclistas concentram a maior parte dos atendimentos por acidentes de trânsito registrados no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, nos primeiros quatro meses de 2026. De janeiro a abril, a unidade recebeu 3.431 vítimas de ocorrências nas vias. Desse total, 2.382 eram pessoas que estavam em motocicletas, o equivalente a 70% dos casos.

Os dados foram divulgados dentro das ações do Maio Amarelo, campanha anual de conscientização no trânsito. Neste ano, o tema é “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, com atenção ao aumento da presença de motociclistas nos deslocamentos urbanos e aos riscos enfrentados por esse grupo.

O perfil das vítimas atendidas no hospital se mantém concentrado entre homens jovens, principalmente na faixa de 19 a 39 anos. Parte desses pacientes usa a motocicleta como instrumento de trabalho, em entregas, deslocamentos diários e outras atividades nas cidades.

Segundo o diretor de urgência do Complexo Hospitalar de Urgência, Rodrigo Muzzi, a circulação nos corredores entre os veículos aumenta a exposição dos motociclistas. Ele afirma que esses espaços, conhecidos como “terceiras vias”, podem dificultar a percepção por motoristas de carros e ônibus.

“A rotina desses pilotos faz eles estarem contra o tempo para chegarem aos lugares ou realizarem entregas, mas as formas que eles encontram para não se atrasarem é o que muitas vezes coloca suas vidas em risco. O fato de haver três vezes mais acidentes com motos do que com carros evidencia a vulnerabilidade dos motociclistas”, afirma.

Outro dado que chama atenção é o número de adolescentes e jovens envolvidos em acidentes com motos. Em 2025, o Hospital João XXIII atendeu 595 motociclistas entre 11 e 19 anos. Apenas até abril deste ano, já foram registrados 214 casos nessa faixa etária.

Para o ortopedista da urgência da unidade, Alexandre Maru, o aumento pode ter relação com o uso de veículos de duas rodas que não exigem carteira de habilitação. Ele também aponta que comportamentos de risco repetidos contribuem para acidentes mais graves.

“O piloto realiza uma ação irresponsável e acha que vai ficar tudo certo. Como deu certo na primeira vez, continua agindo da mesma forma até dar errado. Quando a pessoa fura sinal, anda em alta velocidade ou conduz de forma agressiva com frequência, o risco de sofrer um acidente grave aumenta”, alerta.

As lesões variam conforme a velocidade, o tipo de queda e o uso de equipamentos de segurança. No hospital, os casos incluem escoriações, fraturas, traumas cranianos, lesões torácicas e quadros que podem deixar sequelas permanentes.

Para os profissionais de saúde, o balanço reforça que a prevenção depende de condutas compartilhadas entre motociclistas, motoristas, pedestres e ciclistas. No caso das motos, o uso de equipamentos de proteção, a redução de velocidade e a atenção aos pontos cegos estão entre as medidas associadas à redução de riscos.

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