Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram em 2023 a presença de canabidiol (CBD) em uma planta nativa do Brasil, a Trema micrantha blume, um arbusto amplamente distribuído pelo país. Esse estudo, conduzido com apoio financeiro da Faperj, visa explorar novos tratamentos terapêuticos por meio de plantas locais.
A Trema micrantha produz CBD, um composto ativo da cannabis reconhecido por suas propriedades terapêuticas, como aliviar a epilepsia e a dor crônica, sem efeitos psicoativos. A ausência de tetrahidrocanabinol (THC) torna a planta legalmente mais viável que a cannabis tradicional. Este detalhe destaca seu potencial para a produção nacional.
Potencial econômico e legal
A Trema micrantha, por não conter THC, elimina muitos obstáculos legais enfrentados na produção de cannabis. Isso possibilita o cultivo e uso do CBD sem as complicações jurídicas associadas ao uso recreativo. Este cenário favorece a economia, pois a planta já cresce naturalmente em todo o Brasil, reduzindo custos de cultivo e logística.
A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos acessíveis e de baixo custo. Com o mercado de CBD em expansão, tanto para finalidades terapêuticas quanto de bem-estar, a Trema micrantha pode suprir a crescente demanda por tratamentos eficazes. O financiamento de R$ 500 mil do governo brasileiro permitirá que a equipe da UFRJ refine métodos de extração e avalie a eficácia do CBD ao longo de cinco anos de pesquisa.
A identificação de canabidiol na Trema micrantha representa um avanço considerável, oferecendo novas possibilidades para a pesquisa terapêutica sem os entraves legais do THC. A continuidade da investigação espera definir métodos eficazes de extração e confirmar a equivalência terapêutica ao CBD tradicionalmente utilizado.






