Recentemente, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou que as passagens aéreas no Brasil aumentaram, em média, 118%, com alguns trechos apresentando elevações de até 328%. Essa situação é especialmente crítica nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde a aviação é muitas vezes a única opção viável de transporte. O evento “Desafios da Aviação Regional e os Impactos para o Desenvolvimento do País”, realizado em Brasília, trouxe à tona essas preocupações.
Fatores contribuintes
O aumento significativo nos preços das passagens é atribuído a um cenário de concentração no setor aéreo, caracterizado por baixa concorrência e altos custos operacionais. Atualmente, apenas três companhias aéreas dominam 99,8% do mercado nacional, o que resulta em uma redução drástica na concorrência. Isso se reflete nos preços, que permanecem altos mesmo com uma demanda robusta por serviços aéreos.
Importância da aviação regional
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, enfatizou que a aviação regional deve ser vista como um serviço essencial de integração nacional, não como um luxo. Ele destacou que muitas regiões do Brasil, especialmente as mais remotas, não possuem alternativas de transporte seguras, tornando a aviação uma necessidade. Tadros expressou preocupação com a possível fusão entre as companhias Azul e Gol, que poderia agravar ainda mais a concentração no setor.
Propostas de solução
Diante da gravidade da situação, a CNC propôs a formação de um grupo de trabalho que incluirá a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e representantes do Congresso Nacional. As propostas incluem a abertura do mercado para novas companhias aéreas, incentivos para investimentos em infraestrutura de aeroportos regionais e regulamentações para subsídios ao querosene de aviação nas regiões mais afetadas.






