Originária do Chile e da Argentina, a Boquila é uma planta surpreendente. Ela tem a incrível capacidade de mudar a forma, o tamanho e até a cor de suas folhas para imitar as de outras espécies, conseguindo se camuflar de maneiras impressionantes.
Esse comportamento curioso já era conhecido, mas um novo estudo revelou algo ainda mais intrigante: a Boquila consegue copiar folhas de plantas vizinhas mesmo sem tocá-las. A descoberta contou com a participação do cientista brasileiro Felipe Yamashita, que ajudou a desvendar esse mistério natural.
Por essa pesquisa inusitada, Yamashita e seu colega Jacob White receberam o Ig Nobel 2024, um prêmio que celebra os estudos científicos mais curiosos, engraçados ou aparentemente irrelevantes, mas que despertam reflexão sobre o conhecimento humano.
O mistério da imitação à distância
Os pesquisadores quiseram entender se a Boquila imitava suas “vizinhas” por causa de substâncias químicas ou microrganismos presentes nas plantas hospedeiras. Para isso, isolaram o vegetal e usaram modelos de folhas feitas de plástico, eliminando qualquer contato direto com outras plantas.
Mesmo assim, a Boquila continuou a mudar suas folhas, imitando o formato e o aspecto dos modelos plásticos. Isso indicou que o mecanismo de imitação é muito mais complexo do que se imaginava, talvez envolvendo algum tipo de percepção visual ou outro sentido ainda desconhecido.
O experimento, no entanto, teve limitações. A equipe só conseguiu trabalhar com quatro exemplares da Boquila, o que dificultou a criação de um grupo de controle — essencial para confirmar resultados científicos.
Para compensar, Yamashita e seus colegas usaram folhas isoladas como referência. Assim, conseguiram comparar a aparência das folhas da Boquila expostas aos modelos plásticos com as que não estavam, reforçando a ideia de que essa planta pode perceber e reagir ao ambiente de formas que a ciência ainda está tentando entender.






