O mistério arqueológico que durou sete décadas na Itália foi resolvido por cientistas da Universidade de Oxford, liderados pela química Luciana da Costa Carvalho. Eles descobriram que os jarros de bronze encontrados em 1954 em um santuário subterrâneo na cidade de Paestum, ao sul da Itália, continham mel.
Os jarros, datados de aproximadamente 520 a.C., estavam localizados em um heroon, um santuário subterrâneo dedicado a um fundador mítico. Os componentes biocidas, como os íons de cobre, desempenharam um papel crucial na preservação do mel, prevenindo o ataque de microrganismos durante milênios. Esta descoberta não apenas solucionou o que muitos especulavam, mas também forneceu evidências concretas de práticas culturais e rituais das civilizações antigas.
Contexto histórico e relevância cultural
Desde sua descoberta inicial em 1954, os jarros foram objeto de debate devido à falta de evidências concretas sobre seu conteúdo. As análises anteriores não conseguiram detectar a presença de açúcares, levantando dúvidas quanto à sua função. A equipe liderada por Carvalho utilizou ferramentas modernas que finalmente provaram a presença de substâncias específicas do mel e traços da abelha europeia (Apis mellifera), sugerindo seu uso em rituais religiosos dos tempos antigos.
A pesquisa, cujo resultados foram publicados no Journal of the American Chemical Society, oferece um entendimento aprofundado sobre como o mel era valorizado não apenas como alimento, mas também como uma substância ritualística importante na Grécia e Roma antigas. Esses artefatos de bronze expandem o conhecimento sobre o papel do mel nos rituais religiosos e nas práticas culturais das sociedades passadas. A próxima etapa para os pesquisadores é continuar explorando o impacto e a relevância desses achados para obter uma visão mais abrangente das civilizações clássicas.







