Uma das marcas mais queridas do Rio Grande do Sul, conhecida por sua erva-mate, enfrenta um fim abrupto após décadas de tradição. A Vier Indústria e Comércio do Mate, com raízes profundas na cultura local, teve seu pedido de falência aprovado pela Justiça.
Essa decisão marca o encerramento de uma empresa que simbolizava a identidade regional, mas que sucumbiu a desafios econômicos e externos.

Uma História de Oito Décadas
Fundada em 1944, a Vier construiu sua reputação em Santa Rosa, no noroeste gaúcho, produzindo erva-mate de qualidade. Ao longo dos anos, expandiu filiais em Rio Negrinho (SC) e São Mateus do Sul (PR), tornando-se referência para consumidores fiéis.
No entanto, em 2021, a empresa entrou em recuperação judicial, sinalizando problemas financeiros crescentes. Com dívidas acumuladas em cerca de 50 milhões de reais e um patrimônio de apenas 12 milhões, a situação se tornou insustentável.
Fatores que Levaram ao Colapso
Vários elementos contribuíram para a crise da Vier. A expansão da monocultura da soja no Sul do país reduziu a disponibilidade de matéria-prima, forçando a empresa a lidar com escassez.
Além disso, o aumento nos custos de insumos e fretes das filiais agravou as perdas. Financiamentos pesados e um incêndio devastador na sede em dezembro de 2012 pioraram o quadro.
Um golpe pessoal veio em 1998, quando o sócio-administrador enfrentou problemas de saúde, levando ao seu falecimento em 2020 – um evento que impactou a gestão e a continuidade dos negócios.
O Processo Judicial e Próximos Passos
A Justiça, por meio do juiz Eduardo Savio Busanello, decretou a falência após a própria empresa solicitar o encerramento em setembro de 2024. A sentença destaca esses fatores e determina o lacramento da sede.
A administradora judicial nomeada, Estevez Guarda, tem a missão de preservar ativos, incluindo a marca Vier, atualmente arrendada à Rei Verde, de Erechim. O foco é acelerar a venda de patrimônio para quitar credores, garantindo uma transição ordenada.







