Pesquisadores mexicanos desenvolveram um plástico biodegradável a partir do suco do cacto nopal, conhecido como figo-da-índia. Essa descoberta promete reduzir drasticamente a poluição plástica no planeta.
O material, criado na Universidade Valle de Atemajac, em Zapopan, começa a se decompor após um mês no solo. Na água, dissolve em poucos dias. Diferente dos plásticos tradicionais, não depende de petróleo bruto.

Processo Natural e Não Tóxico
Sandra Pascoe Ortiz, professora responsável pelo projeto, inspirou-se em estudos sobre materiais vegetais. “O nopal tem características químicas ideais para formar um polímero”, explicou ela à Forbes.
O processo mistura compostos à base de nopal com substâncias naturais. Todo o material é não tóxico: pode ser ingerido por humanos ou animais sem riscos. Se entrar nos oceanos, dissolve de forma segura.
Estima-se que 1,15 a 2,41 milhões de toneladas de plástico cheguem aos mares anualmente via rios. Exemplos recentes incluem uma sacola plástica dos anos 1970 encontrada na Austrália e outra no fundo da Fossa das Marianas.
Benefícios para o Meio Ambiente
Essa inovação aborda a crise global de plásticos. Os oceanos sofrem com resíduos persistentes que ameaçam a vida marinha. O plástico de cacto oferece uma alternativa sustentável, degradável e ecológica.
Ao contrário dos plásticos convencionais, que levam séculos para decompor, esse material se integra rapidamente ao ciclo natural. É uma solução acessível, usando uma planta abundante no México.
Origem do Projeto Acadêmico
O ideia surgiu em uma feira de ciências no Departamento de Ciências Exatas e Engenharia. Estudantes de engenharia industrial testaram o cacto como matéria-prima.
Ortiz formalizou a pesquisa, com colaboração da Universidade de Guadalajara. Iniciaram experimentos simples que evoluíram para um protótipo viável.
Desafios e Perspectivas Industriais
Por enquanto, o processo limita-se ao laboratório. Ortiz acredita que, com escalonamento para instalações industriais, pode competir com plásticos comuns. Testes de aplicações estão em andamento.
Várias empresas já demonstraram interesse e colaboram para viabilizar a produção em larga escala. “Precisamos passar do lab para o industrial”, afirma a pesquisadora.






