O Hospital Padre Estevam, em Santa Maria de Itabira, vive preocupante crise financeira. Mantido, principalmente, por meio de uma parceria com a Prefeitura Municipal, o local tem gastado mais do que o arrecadado e convive com um déficit mensal de aproximadamente R$ 30 mil. Por isso, surgiram, nos últimos dias, boatos sobre um possível fechamento do espaço. À DeFato, o atual presidente e diretor executivo da entidade, Ari Virgílio, falou sobre a delicada situação, as conversas com a Prefeitura em busca de uma solução e garantiu: o salário ganho como diretor executivo não interfere no caso.
De acordo com Ari, a atual despesa do Hospital Padre Estevam é de R$ 198 mil, enquanto a receita, oriunda, principalmente, dos cofres da Prefeitura, gira em torno dos R$ 165 mil, gerando um déficit mensal de R$ 33 mil. O repasse feito pelo município é voltado, exclusivamente, aos serviços de urgência e emergência. Porém, diz o presidente, 80% dos atendimentos realizados no local são de saúde básica.
Para fechar essa conta, o ideal seria a Prefeitura repassar um valor maior, opina Ari Virgílio. “Olha, como alternativa, primeiro é o repasse da Prefeitura, que é insuficiente. Porque para o preço do nosso serviço, de urgência e emergência, seria razoável. Mas a gente presta outros tipos de serviços além de urgência e emergência, também prestamos serviço pro SUS, que nos repassa um valor de R$ 5000. Mas o importante é que esse convênio com o SUS me dá a filantropia. Porque sem filantropia seria mais difícil ainda”, diz.
Segundo o presidente e diretor executivo do hospital, as conversas sobre uma renegociação do valor ocorrem desde o ano passado. Em meio ao impasse, outros incentivos financeiros surgiram por meio da Câmara Municipal, empresariado e outros setores da população.
“Sim, desde o ano passado (diálogo sobre aumento do repasse). Porque no ano passado já estávamos com esse déficit de R$ 25 mil, então alegam que as internações aumentaram muito o custo, mas na verdade não. Porque desde o ano passado a gente não estava autorizado a fazer internação. Porém, aqui entra na observação, a observação você coloca que a pessoa é atendida, coloca no SUSfácil, mas eles custam para puxar. A pessoa fica aqui sendo alimentada, usando remédios, então esse custo, desde o ano passado, tem sido em torno de R$ 25 mil. Como não consegui aumentar o repasse com a Prefeitura, eu consegui recursos da Câmara, empresários e a população. Então no ano passado consegui manter o atendimento normal. Porém, o recurso vai findando, porque as pessoas cansam de bancar um serviço que não é da alçada deles. Em 2023, nosso custo elevou para R$ 198 mil e o déficit foi para R$ 35 mil, tentei negociar na Prefeitura porque ela continuou passando o mesmo valor. E em 2023 tivemos aumento de salário mínimo, aumento do custo de remédios e isso dificultou ainda mais nosso funcionamento”, explica Ari.
E há risco do hospital paralisar suas atividades? De acordo com Ari, o prefeito de Santa Maria, Reinaldo das Dores Santos (PSD), garante que não.
“O prefeito garantiu que não. E mesmo porque o fechamento era da internação, eu estava com dificuldade da internação, até para manter o medicamento. Porque para eu jogar uma pessoa aqui dentro para ser internada, preciso ter medicamentos suficientes para atender, então minha internação estava condicionada ao estoque de remédios. Mas o prefeito garantiu que ele estaria disposto a negociar para não fechar, ele garantiu que não fecharia”, responde.
Salário
Hoje diretor do Hospital Padre Estevam, Ari Virgílio, em tese, não deveria receber qualquer tipo de bonificação financeira. Porém, uma brecha do estatuto da entidade permite o pagamento do salário àquele que acumular os cargos de presidente e diretor executivo, justamente a situação vivida por ele. À DeFato, Ari garante que seu vencimento, atualmente em torno de R$ 3996, pouco interfere no cenário geral.
“Olha, eu trabalhei dois anos sem salário. Trabalhando 24 horas por dia e sem salário. Se o meu salário comprometesse o funcionamento do hospital, eu abriria mão dele. Mas mesmo se eu abrir mão do meu salário, o hospital continua na mesma situação. Então não justifica eu abrir mão do meu salário, eu trabalho 24 horas e pode ter certeza que é trabalhoso, viu. Meu telefone toca de madrugada, à noite, no domingo… e mesmo porque isso foi aprovado em assembleia. E meu salário não é pago com recurso do hospital, ele é pago pela Prefeitura, foi um compromisso que o prefeito fez comigo e cumpriu, ele passa a verba do hospital e meu salário. Então não tem nada a ver uma coisa com a outra”, diz ele.
Por outro lado, Ari Virgílio não descarta abrir mão do salário caso necessário. “Se eu já trabalhei dois anos sem receber salário nenhum, tô disposto a abrir mão tranquilamente. Se o meu salário for problema para o hospital, estou pronto para abrir mão dele. Não acredito que seja, porque tenho despesa de gasolina, outras despesas, tenho que usar o meu carro”, finaliza.
Procurada pela reportagem da DeFato, a Prefeitura de Santa Maria nega possuir vínculo direto com Ari e enfatiza que o diretor executivo é pago pelo próprio Hospital Padre Estevam.
O outro lado
Em nota, a Prefeitura também garante total interesse em seguir custeando parte dos serviços do hospital. O Executivo ainda salienta que a relação com a instituição de saúde é exclusivamente de cliente, não cabendo a ele a gestão do espaço. Por fim, a Prefeitura também enfatiza o aumento no valor do repasse ao Hospital Padre Estevam, que saltou de R$ 60 mil para R$ 165 mil, na gestão Reinaldo das Dores Santos. Confira, logo abaixo, o comunicado completo.

