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“Não podemos deixar que a Câmara seja administrada por TACs”, afirma André Viana

Foto: Thamires Lopes/DeFato

Um pedido de vista adiou a votação do projeto de resolução propõe tornar obrigatória a identificação visual dos veículos integrantes da frota pertencente à Câmara de Itabira. A matéria seria votada, em primeiro turno, na reunião ordinária do Legislativo desta terça-feira (13). Mas recebeu pedido de vista do vereador Adélio Martins da Costa “Decão” (MDB)

A proposta é de autoria do vereador André Viana Madeira (Podemos). Em seu discurso, antes da votação, ele afirmou que os vereadores não podem deixar que o Ministério Público assuma as responsabilidades que cabem ao Legislativo.

“Não podemos deixar que a Câmara seja administrada por TACs (Termos de Ajustamento de Conduta), sendo que nós temos o poder de voto, o poder de decisão. Antes mesmo de receber uma orientação, que é sempre bem-vindo um conselho bom, nós precisamos agir de próprio punho para que os gastos da Câmara, Prefeitura, ou qualquer órgão público sejam moralizados”, destacou André Viana.

André Viana criticou a falta de atuação dos colegas vereadores – Foto: Thamires Lopes/DeFato

O vereador fez referência ao TAC encaminhado pelo Ministério Público recomendando a identificação visual da frota do Legislativo. Segundo André Viana, o TAC chegou à Câmara em 21 de junho, quatro meses após o projeto de resolução que tem a mesma proposta ser protocolado na secretaria do Legislativo.

Antes de pedir vista ao projeto, Decão tentou a retirada da matéria de pauta. Ele argumentou que teve o pneu do seu carro furado, aparentemente por uma faca, e teme o que possa acontecer quando os veículos estiverem identificados adesivados com o brasão oficial da Câmara de Itabira. Outros vereadores tentaram argumentar e convencer o emedebista a votar favorável ao projeto. Contudo, ele decidiu pela retirada para vista.

Decão (dir.) foi o autor do pedido de vista – Foto: Thamires Lopes/DeFato

“Hoje foi um dia para esquecer na Câmara Municipal. É um dia lamentável de retrocesso. Um projeto que é anterior a qualquer TAC foi suprimido, postergado. Com todo o respeito ao pedido de vista, que é um instrumento legal e regimental, o que estamos vendo é uma tese deturpada. Se nós formos ter uma Câmara regida por TACs vamos dissolver a Câmara Municipal. Não precisa de vereador mais. Se o vereador não cumpre a função básica de administrar a Câmara, de legislar sobre o Regimento Interno, sobre legislação, sobre o município, qual o motivo de existência do Legislativo?”, disparou André Viana.

Para o vereador, o Ministério Público tem feito o papel que deveria ser do vereador. “Ele vem aqui e faz legislação interna e, às vezes, interna, através de TAC porque nós não nos dispusemos a ter coragem de voltar a votar pautas interessantes. Então, hoje é um dia para não voltar a se repetir na Câmara de Itabira”, finalizou o vereador ao citar que em dois meses foi gasto R$ 25 mil com combustível.

Código de Ética

Também recebeu pedido vista, do vereador Leandro Pascoal, o projeto de resolução que instituiu o Código de Ética e Decoro Parlamentar na Câmara Municipal. O projeto foi desarquivado a pedido da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, que tem o vereador Weverton Leandro Santos Andrade “Vetão” (PSB) como presidente.

O Código de Ética é baseado na Constituição Federal, Lei Orgânica e regimento interno da Câmara, estabelece normas e cria punições para o vereador que o infringir. Serão consideradas irregularidades graves: vereador abusar das prerrogativas relativas ao cargo, receber vantagens indevidas e fazer acordo que tenha por objeto a posse do suplente.

Fraudar, por qualquer meio ou forma, ou regular andamento dos trabalhos legislativos para alterar o resultado de deliberações e usar prerrogativas do cargo para constranger ou aliciar servidores e colega ou qualquer pessoa sobre a qual exerça ascendência hierárquica com o fim de objeto de qualquer espécie de favorecimento também estão previstos.

Mudanças na Saúde

O projeto de lei que introduz alterações no Plano de Cargos Específico dos Servidores Públicos da Secretaria Municipal de Saúde também recebeu pedido de vista. A matéria propões mudanças na estrutura do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf). A principal alteração é a redução no número de médicos, que cai de 47 para 16. O vereador Reginaldo das Mercês Santos (PTB) foi o autor do pedido de vista.

Os cortes atingirão as vagas com carga de quatro horas, reservadas para especialistas que atendem na Policlínica Municipal. Nos PSFs, o atendimento à população continuará com presença de médicos. O projeto ainda cria no programa Saúde da Família as funções de níveis superior e técnico para farmacêutico (2 vagas), fonoaudiólogo (2), nutricionista (3), educador físico (2) e psicólogo clínico (2). Já a quantidade de fisioterapeutas, que já existe no Nasf, sobe de dez para 13.

Com as mudanças propostas na área da Saúde, a estimativa de impacto financeira para 2019 é de um acréscimo de R$ 251,7 mil na folha da Prefeitura. Em 2020, sobe para R$ 765,7 mil. Em 2021, a projeção é de elevação em R$ 775,3 mil.

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